FRAUDE EM LUXO
Esquema de fraude imobiliária em SC era comandado por Bernardo Bello
Investigação do Gaeco aponta que bicheiro foragido coordenava pirâmide imobiliária que causou prejuízo milionário a compradores em Santa Catarina.
Um esquema de fraude imobiliária que movimentou milhões em Santa Catarina era gerido sob as ordens diretas de Bernardo Bello, bicheiro foragido e apontado como mentor de redes de lavagem de capitais. A revelação faz parte de uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que desvendou um sofisticado sistema de pirâmide financeira operando a partir do Rio de Janeiro.
A trama, que visava a venda de unidades no empreendimento Neo Garden, em São Bento do Sul, perdurou por quase quatro anos sem o devido registro de incorporação. O impacto financeiro imediato atinge um grupo inicial de 11 vítimas, com um prejuízo estimado em R$ 4 milhões, valor que os promotores acreditam ser apenas uma fração do montante total desviado.
As evidências contra o grupo surgiram após a análise de celulares apreendidos com os empresários Angelo Luiz Duvoisin e Felipe Facco Seroque, ambos atualmente sob prisão preventiva. As mensagens interceptadas expõem uma estrutura de subordinação rígida a Bernardo Bello, que articulava reuniões e transações financeiras através de um operador identificado como Daniel Adler.
O modus operandi incluía a venda em duplicidade de apartamentos e a comercialização de unidades inexistentes em pavimentos que não constavam no projeto original. Para manter a aparência de solidez, o grupo chegou a abrir uma loja em um shopping influente, enquanto utilizava o capital de novos investidores para cobrir os rombos das fases anteriores. Registros indicam que o bicheiro pretendia levar os sócios catarinenses ao Rio de Janeiro para que aprendessem a replicar suas táticas criminosas no Sul do país.
A defesa dos citados na investigação não foi localizada pela reportagem até o momento. O Ministério Público segue apurando a extensão dos danos causados às dezenas de famílias que investiram as economias no projeto, enquanto as obras permanecem paralisadas.
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