DINHEIRO VIVO EM OBRA

Esposa de desembargador investigado por lavagem de dinheiro pagou obra milionária em espécie, aponta relatório

Suspeita de lavagem de dinheiro
Suspeita de lavagem de dinheiro

Pagamentos de alto valor em espécie pela esposa de magistrado investigado pelo CNJ levantam suspeitas de lavagem de dinheiro. Investigações apontam indícios de ocultação de origem.

{"blocks":[{"key":"10v7d","text":"A esposa de um desembargador investigado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é apontada em um relatório por realizar pagamentos em dinheiro vivo que ultrapassaram R$ 2,1 milhões em uma obra residencial. A decisão judicial que investiga o caso, embora ainda em andamento, levanta sérias preocupações sobre a integridade financeira e a origem dos fundos, impactando a confiança nas instituições judiciais e a dignidade do processo público.","type":"paragraph"},{"key":"8t2f3","text":"Conforme apurado pela Polícia Federal (PF), o casal adquiriu um terreno em um condomínio de luxo em Campo Grande, onde construíram uma residência avaliada em mais de R$ 2,1 milhões. As transações financeiras para os fornecedores da obra, segundo investigações, eram realizadas pela esposa do magistrado, que preferia efetuar os pagamentos em espécie. Essa prática levantou suspeitas sobre a possível lavagem de dinheiro.","type":"paragraph"},{"key":"6ghj4","text":"Conversas interceptadas pelos investigadores revelam que a esposa combinava encontros presenciais para entregar o dinheiro e evitava o uso de meios eletrônicos ou cartões. Em uma das trocas de mensagens com o arquiteto responsável pelo projeto, ela expressa: ‘Pra mim fica melhor eu te dar dinheiro todo mês. Esse mês aconteceu de eu te dar picado, porque eu peguei uma parte do dinheiro, depois outra. Saiu tudo picado’. Essa dinâmica sugere uma tentativa de fragmentar os pagamentos para disfarçar a origem dos valores.","type":"paragraph"},{"key":"4r5t6","text":"A reforma da residência, iniciada em 2021, um ano após o desembargador conceder prisão domiciliar a um megatraficante, também envolveu a contratação de móveis planejados, orçados em R$ 650 mil. Em comunicação com o fornecedor, a esposa solicitava encontros para acertar os pagamentos, sugerindo que o encontro ocorresse em seu local de trabalho no TRE.","type":"paragraph"},{"key":"2y3u4","text":"A PF identificou que os pagamentos em espécie ocorriam, por vezes, dentro de veículos, como forma de evitar registros formais. Em uma negociação de ferragens no valor de R$ 40 mil, a esposa solicitou um desconto para pagamento em dinheiro. O vendedor demonstrou estranhamento e informou que a empresa não aceitava dinheiro vivo, recomendando meios como cartão, PIX ou boleto.","type":"paragraph"},{"key":"9o8i7","text":"A origem dos fundos utilizados nesses pagamentos em espécie não foi identificada pelos investigadores, reforçando as suspeitas de irregularidades.","type":"paragraph"},{"key":"5a6s7","text":"O desembargador em questão, Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), foi afastado e aposentado compulsoriamente pelo CNJ em 10 de fevereiro deste ano. A punição ocorreu devido à concessão de prisão domiciliar a Gerson Palermo, condenado a 126 anos por tráfico de drogas, em 2020. Palermo, que estava em presídio de segurança máxima, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu após conseguir a decisão liminar. A concessão da prisão domiciliar ocorreu durante a pandemia de Covid-19, sob a justificativa de problemas de saúde, que, segundo o CNJ, não eram comprovados por laudo médico.","type":"paragraph"},{"key":"1p2o3","text":"Este caso se soma a outras investigações que apontam que a esposa do desembargador também atuava na intermediação de sentenças, conforme revelado pelo CNJ, ligando o magistrado a decisões que beneficiaram figuras ligadas ao PCC.","type":"paragraph"}]}

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