FUTURO ENERGÉTICO PAULISTA
Especialistas debatem biometano como solução para mobilidade sustentável em São Paulo
Palestrantes em debate nesta quinta-feira, 28, apresentaram o biometano como aposta estratégica para reduzir dependência de combustíveis fósseis e cumprir metas climáticas.
São Paulo se consolida como referência internacional em energia limpa, com 59% de sua matriz energética proveniente de fontes renováveis em 2024, conforme aponta o Balanço Energético do Estado de São Paulo (BEESP) 2025. Entre as alternativas que ganham destaque, o biometano emerge como uma solução viável e estratégica para diminuir a dependência de combustíveis fósseis e acelerar a transição energética no transporte público, contribuindo para as metas climáticas do estado.
Para discutir os desafios e oportunidades dessa expansão, o Metrópoles Talks realizou nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, o painel “Biometano: energia limpa para mover o futuro da cidade”, inserido no tema “Mobilidade Sustentável: a transformação da mobilidade urbana em direção a uma cidade mais sustentável”. O evento reuniu especialistas para debater o potencial do biometano.
O painel contou com a participação de Victor Hugo, presidente da SPTrans; Josiani Napolitano, presidente da ABiogás; e Bruno Dalcolmo, executivo da Comgás e especialista em políticas públicas e regulação energética. Embora o biometano ainda seja pouco conhecido, São Paulo se prepara para superar a produção de 800 mil m³/dia até dezembro de 2026, com um potencial estimado de 6,4 milhões de m³/dia.
O combustível é gerado pela purificação do biogás, proveniente de resíduos orgânicos, aterros sanitários e atividades agroindustriais. Victor Hugo enfatizou a importância dessa tecnologia como complemento à eletrificação da frota. "O biometano vem como uma alternativa para não dependermos unicamente da eletrificação total da frota. O Programa BioSP, por meio do Decreto nº 64.519/2025, prevê a incorporação gradual de ônibus movidos a biometano ao sistema municipal de transporte", explicou.
O programa estabelece diretrizes para aumentar a competitividade, planejar a infraestrutura logística, ampliar a demanda em transporte pesado e indústria, e fortalecer a cadeia de serviços de biometano em São Paulo. As concessionárias poderão aderir via aditivos contratuais, viabilizando investimentos em novos veículos e infraestrutura de abastecimento.
Atualmente, a capital paulista lidera a frota elétrica do país com 1.259 ônibus elétricos, concentrando mais de 80%. O estado também planeja a substituição gradual de caminhões de lixo movidos a diesel. "A nossa meta é que, nos próximos anos, 13 mil ônibus deixem de utilizar mais energia fóssil. Já operamos com 27 carretas e 22 caminhões movidos a biometano, reduzindo 95% das emissões de CO², o equivalente ao plantio de 134 mil árvores por ano. Temos um arcabouço técnico e legal para ampliar esses números com segurança", declarou Victor Hugo.
São Paulo conta com nove plantas de biometano autorizadas, produzindo 700 mil metros cúbicos por dia, com projeção de quase 1 milhão de m³/dia em 2027.
Josiani Napolitano destacou a competitividade do biometano frente ao diesel e o potencial de aproveitamento dos resíduos estaduais. "O volume de resíduos produzidos em São Paulo é gigantesco, e esse resíduo precisa ter uma destinação adequada. O estado tem capacidade de produzir cerca de 6,4 milhões de m³ de biometano por dia no curto prazo", afirmou.
Além da descarbonização, o biometano oferece benefícios econômicos, sociais e ambientais significativos, incluindo: potencial de geração de 20 mil empregos; fortalecimento da indústria nacional de equipamentos e tecnologia; avanço na gestão de resíduos; melhoria da qualidade do ar urbano; redução da dependência de combustíveis fósseis; e estímulo à economia circular.
Bruno Dalcolmo comparou o potencial do biometano à descoberta do pré-sal, prevendo geração de riqueza e melhoria na qualidade de vida. "É justamente esse potencial que enxergamos hoje. No longo prazo, o combustível renovável poderá substituir parte relevante do gás natural fóssil, o que representa geração de empregos, aumento da arrecadação e desenvolvimento econômico sustentável", declarou. Ele ressaltou que os 23 mil quilômetros de rede de distribuição da Comgás em São Paulo já conectam a produção de biometano, concentrada no interior paulista, aos centros consumidores. O principal desafio, segundo Dalcolmo, reside em políticas públicas e investimentos privados para ampliar a competitividade da solução.
Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que o biometano pode substituir economicamente até um terço do consumo de diesel e gasolina no Brasil, especialmente no transporte pesado e na indústria. A expectativa é que o crescimento do setor atraia bilhões em investimentos, consolidando o Brasil como referência mundial em energia renovável produzida a partir de resíduos.
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