RISCOS DO EXCESSO
Especialistas alertam para consumo de álcool durante festas juninas e Copa do Mundo
Levantamento indica que 82% de pessoas com consumo abusivo acreditam beber moderadamente. OMS reforça que não há quantidade segura de álcool.
Com a aproximação das festas juninas e da Copa do Mundo, períodos que tradicionalmente elevam o consumo de bebidas alcoólicas no Brasil, especialistas acendem um alerta sobre os perigos do exagero e a dificuldade da população em reconhecer hábitos prejudiciais.
Um levantamento conduzido pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) revelou um dado preocupante: 82% das pessoas que apresentam consumo abusivo de álcool acreditam que sua ingestão é moderada. Apenas 9% admitem a necessidade de alterar o próprio comportamento.
Este cenário é motivo de apreensão para profissionais da saúde, especialmente em épocas de intensas confraternizações e encontros sociais, quando o acesso à bebida se torna mais facilitado. Segundo o psicólogo Zacarias Ramalho, docente da Estácio, a falha na percepção dos malefícios do álcool contribui significativamente para a manutenção de padrões de consumo danosos, afetando a dignidade e o bem-estar individual e coletivo.
Conforme explica o especialista, a combinação de fatores sociais, predisposição genética e a presença de transtornos mentais podem acelerar o desenvolvimento da dependência alcoólica. Os principais sinais de alerta incluem o afastamento social, a perda de interesse por atividades antes prazerosas e o uso frequente e em grande quantidade de bebidas. Ramalho enfatiza que muitos normalizam comportamentos que causam danos, minimizando o impacto na saúde física e emocional.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) endossa este alerta, reiterando que não existe um nível de consumo de álcool livre de riscos para a saúde. A OMS classifica a substância como tóxica, com potencial de gerar dependência e comprovadamente cancerígena do Grupo 1.
O psicólogo Zacarias Ramalho detalha que o álcool pode prejudicar o autocontrole, incentivando atitudes impulsivas e elevando a vulnerabilidade a comportamentos de risco. Em situações mais graves, a dependência química pode surgir como uma estratégia inadequada para lidar com conflitos emocionais e adversidades.
O tratamento, segundo o especialista, deve ser pautado pelo acolhimento, apoio familiar e ausência de julgamentos, encorajando a busca por auxílio profissional. Identificar os gatilhos emocionais e sociais que impulsionam o consumo excessivo é visto como um passo essencial para evitar recaídas e consolidar a recuperação.
Para aqueles que buscam equilibrar os festejos, a nutricionista Eva Andrade sugere priorizar a hidratação e fazer escolhas conscientes. A recomendação é intercalar bebidas alcoólicas com água, além de preferir opções como água de coco, sucos naturais sem adição de açúcar e bebidas de baixo teor de sódio, o que minimiza os efeitos do álcool no corpo e mantém a hidratação.
As cervejas sem álcool surgem como alternativa para quem deseja celebrar sem ingerir etanol. Elas promovem menor sobrecarga ao fígado, melhoram a hidratação e têm menos calorias. Contudo, a nutricionista alerta que o consumo deve ser moderado, especialmente para indivíduos com restrições metabólicas, como portadores de diabetes, que precisam monitorar a composição nutricional.
Classificação Indicativa: Livre.
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