SAÚDE MENTAL EM ALERTA

Especialistas alertam: Estresse prolongado causa doenças graves

Impacto do estresse na saúde física e mental
A sobrecarga emocional afeta diretamente o bem-estar físico.

A conexão mente-corpo é complexa e exige atenção. Fatores emocionais desencadeiam problemas como gastrite, hipertensão e AVC.

A profunda conexão entre a mente e o corpo ganha destaque nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, com especialistas da área da saúde unindo vozes para alertar sobre um risco invisível: o estresse frequente. Eles apontam que situações de pressão e frustração cotidianas, quando prolongadas, podem desencadear uma série de doenças físicas, impactando diretamente a dignidade e a qualidade de vida de milhões de pessoas. Essa compreensão, baseada na ciência psicossomática, revela como o mal-estar emocional se transforma em sofrimento físico concreto, exigindo atenção urgente.

Ao enfrentar uma situação percebida como ameaça, o corpo ativa um sistema de alerta complexo. Libera hormônios como cortisol e adrenalina, provocando alterações fisiológicas que vão além do campo emocional: vasos sanguíneos se contraem, a glicose no sangue aumenta, a pressão arterial se eleva e os batimentos cardíacos aceleram. Sintomas como falta de ar, aperto no peito, tremores e desconforto abdominal são manifestações comuns desse estado de tensão.

O médico Avelino Luiz Rodrigues explica que essas reações resultam da ativação encadeada do sistema nervoso central e, subsequentemente, do sistema nervoso autônomo. “Essa situação é interpretada como algo que está ameaçando o seu bem-estar, o que ativa o sistema nervoso central e, consequentemente, o autônomo”, detalha o especialista. Ele ainda acrescenta que essa resposta não se limita à percepção imediata, afetando também o funcionamento do intestino, já que o sistema autônomo regula funções viscerais, incluindo a motilidade intestinal – um processo vital para a digestão e o bem-estar.

A profunda interconexão entre mente e corpo é minuciosamente explorada na obra A Linguagem do Organismo, da renomada gastroenterologista Giulia Enders. Segundo a autora, o estresse e a ansiedade não são meras sensações, mas gatilhos para uma complexa cadeia de respostas que mobiliza diferentes sistemas do organismo, ligando diretamente processos psicológicos a manifestações físicas dolorosas e persistentes.

Nesse cenário de vulnerabilidade, o sistema imunológico também sofre. Conforme Enders, o estresse constante pode tornar as células de defesa mais reativas e menos tolerantes. Assim, microrganismos que coexistem de forma equilibrada no corpo, muitas vezes essenciais para a saúde, passam a ser vistos como invasores e atacados, gerando inflamações e dor crônica. Esse desequilíbrio afeta diretamente a microbiota intestinal, vital para a imunidade, e contribui para sintomas persistentes que minam a qualidade de vida.

A psicóloga Denise Ramos, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, enfatiza que, embora as reações de estresse sejam naturais em situações de perigo, tornam-se um problema grave quando deixam de ser pontuais. “O problema é quando essa ativação não volta ao equilíbrio (homeostase) e se torna algo constante ou crônica”, alerta a especialista. É nesse ponto que o corpo, esgotado e em alerta permanente, começa a desenvolver doenças.

Entre as condições mais frequentemente associadas a esse processo de desgaste estão gastrite, hipertensão arterial, úlceras, distúrbios do sono, cefaleias severas, enxaqueca, síndrome do intestino irritável e, em casos mais graves, até doenças cardiovasculares como infarto e AVC. O impacto também pode atingir e agravar doenças autoimunes, transformando a vida dos indivíduos em um ciclo de dor e tratamento contínuo, onde o fator psicológico tem um papel central.

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