MENTES CRÍTICAS
Especialista revela como pensamento crítico protege crianças nas redes sociais
A Dra. Maree Davies, renomada professora da Universidade de Auckland, Nova Zelândia, defende que o ensino do pensamento crítico é a ferramenta mais poderosa para jovens navegarem com segurança e autoconfiança no ambiente digital, combatendo a desinformação e desenvolvendo habilidades essenciais para o futuro.
Nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, uma abordagem inovadora para a segurança digital de crianças e adolescentes ganhou destaque. A Dra. Maree Davies, renomada professora sênior de educação e prática social na Universidade de Auckland, Nova Zelândia, defende que a melhor estratégia para proteger os jovens dos riscos das redes sociais não reside na proibição, mas sim no cultivo do pensamento crítico. Para a especialista, equipar as novas gerações com a capacidade de questionar, analisar e avaliar informações online é fundamental. Esta habilidade, mais do que blindá-los contra a desinformação, golpes e outros perigos digitais, empodera-os, reduz a ansiedade e os prepara com ferramentas cruciais para um futuro cada vez mais digitalizado e exigente no mercado de trabalho.
Observando um declínio na capacidade dos estudantes universitários de construir e refutar argumentos sólidos, a Dra. Davies aponta que a constante exposição a telas contribui para essa deficiência. Essa carência de pensamento crítico, evidentemente, torna os jovens vulneráveis a notícias falsas, fraudes e outros perigos digitais. Em seu livro "Ensinando Pensamento Crítico a Adolescentes: Como as Crianças Podem Ser Espertas sobre IA, Algoritmos, Notícias Falsas e Redes Sociais", ela detalha como pais e educadores podem desenvolver essa competência vital.
O que é o pensamento crítico e por que é vital?
O pensamento crítico é a capacidade de questionar, analisar e avaliar cuidadosamente informações ou ideias antes de decidir no que acreditar ou o que fazer. Muitas vezes, envolve considerar contra-argumentos e ponderar evidências para determinar qual afirmação ou argumento é o mais forte, explica a Dra. Davies. Para ela, essa é a habilidade mais importante que podemos ensinar às crianças para protegê-las nas redes sociais.
Ao entender o pensamento crítico, a mente automaticamente questiona o que vê online: "Isso está certo? Devo procurar mais informações? Isso se aplica a todos?". Ensinar os adolescentes a fazer isso, sobre qualquer assunto, e não apenas sobre redes sociais, é mais eficaz do que simplesmente proibi-las. A proibição não garante que, ao atingirem uma certa idade, as crianças de repente compreendam o funcionamento dos algoritmos ou a dinâmica das plataformas.
A chave, portanto, é incutir autoconfiança. Quando os jovens compreendem como as diferentes plataformas e seus algoritmos operam, tornam-se mais espertos e menos suscetíveis. Essa autonomia também pode, em algum nível, aliviar a ansiedade, que muitas vezes surge da falta de controle. Desenvolver o pensamento crítico oferece as ferramentas necessárias para retomar esse controle.
Como os pais podem fomentar essa habilidade?
Para estimular a curiosidade, os pais podem modelar o comportamento desejado. Expressões como: "Acabei de ver algo no noticiário. Disseram isso e aquilo, e parece incrível. Vamos pesquisar mais" incentivam a busca por informações adicionais e a consulta a outras fontes, cultivando o interesse pelo mundo. Em vez de confrontar um adolescente com perguntas diretas como: "Que evidências você tem para isso?", os pais podem usar uma abordagem mais suave: "Ah, não tenho certeza disso. O que você viu ou ouviu que te faz dizer isso?".
Quando o aprendizado vai além da memorização para provas e fomenta a curiosidade sobre o mundo, os adolescentes se engajam mais profundamente. A Dra. Davies encoraja o uso da linguagem do "nós": "Vamos pesquisar isso juntos". Reconhecer que todos somos vulneráveis a algoritmos e à desinformação cria um senso de parceria, fazendo com que os jovens não se sintam sozinhos nessa jornada digital.
A importância de mudar de ideia e conversar
Mudar de ideia à luz de novas evidências é uma habilidade crucial. Os pais devem modelar esse comportamento, como em um exemplo sobre ciclovias: "Eu costumava pensar que não queria aquela ciclovia naquela rua porque não posso estacionar lá. Mas, na verdade, mudei de ideia. Agora percebo que é fantástico, porque significa que a ciclovia se conecta com todas as outras ruas, e tenho visto muita gente usando-a".
Além de ler e escrever, ensinar as crianças a conversar é fundamental. Muitas vezes, as conversas na escola são focadas em tarefas, como criar um diagrama de Venn. Para que as interações, sejam online ou presenciais, sejam realmente ricas, os jovens precisam desenvolver habilidades de questionamento de alto nível. Caso contrário, tendem a usar uma linguagem excessivamente emotiva ou a falar sem reflexão. Uma das melhores habilidades é simplesmente perguntar: "Você pode me dar um exemplo disso?". Quando a conversa se torna interativa, exige um pensamento mais profundo, justificação das ideias e a apresentação de exemplos concretos.
Criatividade e pensamento crítico no mercado de trabalho
A Dra. Davies prevê que criatividade e pensamento crítico se tornarão habilidades cada vez mais importantes no mercado de trabalho. Se os jovens crescem dependendo da IA para resumir, gerar ideias e pensar por eles, não desenvolverão essas competências. Pelo contrário, atividades como desenhar e criar com peças de Lego na infância fomentam a criatividade.
Pessoas com essas habilidades naturais são funcionários flexíveis e adaptáveis, qualidades muito valorizadas por empregadores. Grande parte da vida envolve a resolução de problemas imprevisíveis. Recorrer apenas à IA para novos e emergentes desafios não é suficiente, pois a inteligência artificial se baseia em dados existentes. É preciso de mentes humanas capazes de pensar de maneiras novas e inovadoras.
Período crucial do desenvolvimento na adolescência
O início da adolescência é um período crucial para o desenvolvimento de habilidades. Por volta dos 11 anos para meninas e 12 para meninos, ocorrem mudanças neurológicas significativas. A massa cinzenta nos cérebros dos adolescentes está no auge de sua capacidade. Repetir atividades consistentemente, como praticar um esporte, fortalece as conexões neurais. O não uso dessas conexões leva ao seu enfraquecimento e eventual "corte", enquanto o uso as consolida.
O poder das conversas regulares
Compartilhar histórias e experiências é muito importante, e os pais devem reservar tempo para simplesmente conversar com os adolescentes. Mesmo com as portas batendo e o comportamento típico de afastamento, os jovens buscam proximidade. Quando os adolescentes sentem que têm esse tipo de relacionamento com os pais, é muito mais provável que os procurem se estiverem em apuros, presos em notícias ruins ou sendo alvo de grupos extremistas.
É fundamental criar um ambiente onde eles se sintam confortáveis para conversar, sem medo de reações exageradas. Ouvir é a chave. Os pais devem relaxar e simplesmente escutar o que seus filhos têm a dizer.
*Kara Alaimo é professora de comunicação na Universidade Fairleigh Dickinson e aconselha pais, alunos e professores sobre como gerenciar o tempo gasto em frente às telas. Seu livro "Over the Influence: Why Social Media Is Toxic for Women and Girls — And How We Can Take It Back" foi publicado em 2024.
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