ELEIÇÕES E ECONOMIA
Especialista: Argumento sobre protecionismo histórico do PT não deve afetar eleições
Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice, avalia que explicar tarifas com base no histórico do PT exigiria tempo e seria complexo para o eleitorado atual.
A ideia de que as tarifas impostas pelos Estados Unidos resultam do histórico protecionista do PT (Partido dos Trabalhadores) tem poucas chances de impactar significativamente as próximas eleições, conforme avaliou Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice. A análise foi feita em entrevista ao programa WW, onde o especialista dissecou as estratégias retóricas empregadas tanto pelo governo Lula (PT) quanto por Flávio Bolsonaro (PL) no debate sobre as recentes tarifas.
Questionado sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro utilizar o passado protecionista do PT como defesa diante das críticas sobre sua proximidade com Donald Trump – críticas encapsuladas pelo termo “TariFlávio”, disseminado pelo governo em redes sociais –, Lucas de Aragão mostrou ceticismo. "Eu acho difícil, eu acho que é uma explicação complexa, complicada", declarou.
O especialista ponderou que, embora essa linha de argumentação possua uma lógica intrínseca, ela exigiria um investimento de tempo que as campanhas eleitorais, especialmente em um cenário de eleitorado polarizado e desiludido, não possuem.
"Acho que isso não se convence um eleitor que está cansado, um eleitor polarizado, um eleitor que não se mostra muito esperançoso nem muito confiante com a direção do país, que tem um alto nível de rejeição de ambos os candidatos", observou Aragão. Ele ainda ressaltou que a construção dessa narrativa deveria ter sido iniciada consideravelmente antes, dada a escassez de tempo restante para que ela ganhe força.
Audiência pública como manobra defensiva
A participação de Flávio Bolsonaro em uma audiência pública foi interpretada pelo especialista como uma ação estratégica para conter a consolidação do termo “TariFlávio” na percepção pública. "Essa ida dele para participar da audiência pública também já foi pensada para evitar que a linha do TariFlávio, como o governo falou nas redes, emplaque", comentou Aragão.
Segundo a análise, Flávio Bolsonaro navega por múltiplas frentes de defesa. Essa complexidade torna ainda menos provável que ele priorize a narrativa do protecionismo histórico do PT como pilar central de sua campanha. "Não vejo que esse argumento de que a tarifa é culpa de um histórico protecionista do Brasil também ou principalmente em governos do PT se sustente ou seja um argumento viável para se começar agora e ter um efeito relevante na campanha", concluiu.
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