CRISE MIGRATÓRIA EUROPEIA

Espanha registra 1,2 milhão de pedidos de regularização migratória

Candidatos aguardam processos de regularização migratória na Espanha.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, apresenta o plano de cidadania e integração em Madrid, Espanha. Foto: REUTERS/Violeta Santos Moura.

Programa do governo Pedro Sánchez supera expectativas e busca integrar estrangeiros ao mercado de trabalho. Autoridades têm três meses para análise dos processos.

O governo da Espanha recebeu 1,2 milhão de solicitações de regularização migratória, uma iniciativa estratégica lançada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez para integrar estrangeiros ao mercado de trabalho formal. A medida, detalhada nesta sábado, 11/07/2026, pelo Ministério da Inclusão, Segurança Social e Migração, visa suprir demandas em setores essenciais e promover a prosperidade econômica do país.

As autoridades espanholas dispõem de um prazo administrativo de três meses para analisar cada candidatura e decidir sobre a concessão da autorização de residência e trabalho. Trata-se de uma decisão administrativa passível de análise individualizada, não configurando uma anistia automática.

Para a secretária de Estado para as Migrações, Pilar Cancela, a alta adesão reforça o potencial de mão de obra disponível. "A maioria dos candidatos ingressará no nosso mercado de trabalho em setores estratégicos e essenciais, contribuindo para a prosperidade compartilhada do nosso país", afirmou.

O volume de pedidos dobrou a expectativa inicial do governo, que previa 500 mil adesões. Dados indicam que 67% dos solicitantes são oriundos da América Central e da América do Sul. Embora o Brasil faça parte desse grupo, o país não figura entre as cinco nacionalidades com maior número de requerimentos, representando menos de 4,9% do total.

Renata Barbalho, CEO da consultoria Espanha Fácil, destaca que a facilidade linguística e a legislação local tornam o país um destino atrativo. "Muitos brasileiros que decidiram emigrar para a Europa optaram inicialmente por Portugal, acreditando que o idioma facilitaria a adaptação. No entanto, quando analisamos a legislação migratória, a Espanha se mostra um país muito mais receptivo", explica a especialista.

Os números refletem um perfil jovem e qualificado: 84% dos candidatos possuem competência linguística em espanhol, 43% possuem formação de nível médio ou profissionalizante e 24% possuem ensino superior.

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