ALERTA SANITÁRIO GLOBAL

Espanha investiga caso de hantavírus; OMS prevê mais diagnósticos

Javier Padilla e Virginia Barcones em coletiva de imprensa sobre hantavírus na Espanha
Secretário de Estado da Saúde da Espanha, Javier Padilla, e a chefe de Emergências e Proteção Civil do país, Virginia Barcones, em coletiva à imprensa — Foto: Reuters

Mulher em Alicante com sintomas acende alerta após morte de passageiro de cruzeiro. OMS registra 8 casos e 3 óbitos e prepara evacuação de 150 pessoas.

Autoridades de saúde da Espanha iniciaram, nesta sexta-feira, 08 de maio de 2026, uma investigação urgente sobre um caso suspeito de hantavírus na província de Alicante. A medida surge após uma mulher apresentar sintomas compatíveis e ter viajado no mesmo voo que um homem falecido por complicações do vírus após um cruzeiro. A situação eleva o alerta para a saúde pública, reacendendo preocupações com cadeias de transmissão e impondo um desafio global diante da raridade e letalidade do patógeno.

A agência Reuters reportou que a mulher, residente no sudeste da Espanha, exibe sinais de infecção pelo hantavírus. Este caso está ligado a um passageiro que, após uma viagem no navio de cruzeiro MV Hondius, contraiu o vírus e morreu em Joanesburgo. O incidente intensifica o monitoramento internacional, transformando a embarcação no epicentro da vigilância sanitária global nos últimos dias.

Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha alertado na quinta-feira, 07 de maio de 2026, que novos casos podem surgir após as mortes de três passageiros do cruzeiro, a entidade acredita que o surto será “limitado”, desde que medidas eficazes de saúde pública sejam implementadas. Até o momento, oito casos foram notificados, resultando em três óbitos. Desses, cinco já receberam confirmação laboratorial para hantavírus, enquanto três permanecem sob investigação.

A OMS enfatiza que o período de incubação da cepa Andes, detectada entre os infectados, pode estender-se por até seis semanas. Isso significa que a comunidade global deve preparar-se para o possível registro de novos diagnósticos nas próximas semanas. Apesar da preocupação, a organização descarta categoricamente o início de uma nova pandemia, como a de Covid-19, assegurando que o hantavírus possui um potencial de contágio significativamente menor.

O MV Hondius, navio protagonista deste episódio, navega agora em direção a Tenerife, nas Ilhas Canárias. A partir da próxima segunda-feira, 11 de maio de 2026, está prevista a evacuação de aproximadamente 150 passageiros e tripulantes. A operação será delicada: os ocupantes serão transferidos para embarcações de apoio, que os levarão diretamente ao aeroporto de Tenerife Sul, sem que o cruzeiro atraque na ilha.

Apesar do cenário de alerta, a companhia responsável pelo navio garante que não há pessoas com sintomas a bordo neste momento, e a rotina dentro do MV Hondius segue "praticamente normal".

O hantavírus, um patógeno raro, é transmitido predominantemente por contato com roedores infectados. A cepa Andes, contudo, destaca-se por ser a única conhecida com capacidade de transmissão entre seres humanos. Não há vacina disponível nem tratamento específico para a infecção, que pode evoluir para uma síndrome respiratória aguda grave.

A origem exata do contágio permanece incerta. A OMS sugere que o primeiro caso pode ter ocorrido antes do embarque, já que o primeiro passageiro falecido manifestou sintomas poucos dias após o início da viagem. Autoridades de países como Chile e Argentina, envolvidos no monitoramento, ainda não conseguem precisar o local da infecção inicial.

A vigilância internacional abrange ao menos 12 países. Casos suspeitos ou indivíduos sob observação foram identificados em locais como Países Baixos, Suíça, Alemanha e África do Sul. Adicionalmente, passageiros que desembarcaram em Santa Helena, no Atlântico Sul, estão sendo rastreados para identificar possíveis contatos e evitar novas dispersões.

A chegada iminente do navio às Ilhas Canárias gera apreensão entre os moradores, que ainda guardam as memórias da pandemia de Covid-19. As autoridades locais reiteram que o desembarque ocorrerá sob rigoroso controle, sem atracação direta. A OMS, por sua vez, mantém a avaliação de que, com medidas adequadas e cooperação internacional, o surto pode ser contido.

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