DECISÃO JUDICIAL QUESTIONADA

Entidades repudiam prisão de jornalista condenado por difamação a Zambelli

Luan Araújo, jornalista.
Luan Araújo, jornalista.

A detenção de Luan Araújo, em regime aberto, por não quitar indenização de R$ 2.200 a Carla Zambelli gerou forte reação de organizações de imprensa.

Uma decisão judicial que determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo gerou repúdio de entidades ligadas à imprensa. A ordem partiu do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, em São Paulo (SP), e foi motivada pelo não pagamento de uma indenização de R$ 2.200, resultado de uma condenação por difamação contra a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A situação se desenrola em meio a um contexto de desemprego e dificuldades financeiras enfrentadas pelo profissional, que alega considerar a condenação injusta e busca apoio para lidar com o cenário.

O juiz José Fernando Steinberg fundamentou a prisão argumentando que Luan Araújo "apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta". A condenação por difamação ocorreu após Araújo publicar críticas à ex-parlamentar, incluindo declarações sobre ela integrar uma "seita de doentes de extrema direita que a segue incondicionalmente e segue cometendo atrocidades".

Luan Araújo, jornalista.
Luan Araújo, jornalista, enfrenta processo judicial.

Em nota conjunta, a Cojira-SP (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial) do SJSP (Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo) e a Conajira/Fenaj (Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial da Federação Nacional dos Jornalistas) expressaram forte crítica à medida. As organizações destacaram o repúdio à prisão do jornalista "em razão do não pagamento de R$ 2.216,30 decorrentes de uma condenação por difamação em ação movida pela ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP)".

O próprio Luan Araújo manifestou tristeza com a repercussão, mas também gratidão pelo acolhimento recebido. Ele relatou estar desempregado e em busca de oportunidades de trabalho, o que dificulta o cumprimento da decisão judicial. Em suas redes sociais, o jornalista classificou a condenação como "injusta" e detalhou suas dificuldades, incluindo "problemas psicológicos, desemprego, falta de oportunidades". Diante da situação, ele chegou a iniciar uma vaquinha para arrecadar fundos para entrar com um processo por danos morais contra a ex-deputada.

Araújo também lamentou a decisão da Justiça da Itália de rejeitar o pedido de extradição de Carla Zambelli, apesar de sua condenação no STF (Supremo Tribunal Federal) por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. Ele se declarou "desesperançoso", sentindo que possui "muito menos armas" em sua luta contra a ex-parlamentar.

O caso remonta ao dia 29 de outubro de 2022, antes do segundo turno das eleições presidenciais daquele ano. Imagens divulgadas na época mostram Carla Zambelli sacando uma arma e perseguindo Luan Araújo pelas ruas de São Paulo e em uma lanchonete. Em agosto de 2025, o STF condenou Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes relacionados ao episódio. O pedido de extradição feito pelo Brasil, contudo, foi cassado pela Corte de Apelação de Roma em maio de 2026.

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