JUSTIÇA E CRIME

Ex-PMs vão a júri popular acusados de matar Guilherme Guedes, de 15 anos

Foto do PM Adriano Campos e do ex-PM Gilberto Rodrigues
PM Adriano Campos e ex-PM Gilberto Rodrigues são acusados de executar o adolescente Guilherme Guedes.

Após anulação de sentença anterior, a Justiça de SP retoma o julgamento de dois ex-agentes por homicídio triplamente qualificado ocorrido em 2020.

Dois ex-policiais militares sentam no banco dos réus para enfrentar um novo julgamento sob a acusação de sequestrar, torturar e executar o adolescente Guilherme Guedes, então com 15 anos. O júri popular, que busca esclarecer a morte do jovem, ocorre na 1ª Vara do Júri do Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital, e deve se estender por até dois dias.

Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público (MP), o crime aconteceu em 14 de junho de 2020, na Zona Sul de SP. A Promotoria sustenta que o ex-sargento Adriano Campos e o ex-soldado Gilberto Rodrigues, que atuavam como seguranças particulares na época, abordaram o rapaz sob a suspeita de que ele teria participado de um furto a veículos na região de Vila Clara, em Americanópolis. Testemunhas ouvidas durante a investigação, contudo, refutam a acusação de furto, afirmando que o jovem estava em uma festa no momento do delito.

A narrativa do Ministério Público aponta que o adolescente foi levado pelos dois acusados e executado com disparos de arma de fogo na boca e no crânio, sendo seu corpo posteriormente encontrado na cidade de Diadema, na Grande São Paulo. Câmeras de segurança registraram momentos do contato entre os acusados e a vítima antes do seu desaparecimento.

O processo ganhou contornos complexos ao longo dos anos. Adriano chegou a ser julgado e absolvido em 2021, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) anulou a decisão, entendendo que o veredito dos jurados foi contrário às provas contidas nos autos. Já Gilberto, que possui um extenso histórico criminal e passagens pelo Presídio Militar Romão Gomes, responde por diversas outras acusações de homicídio.

Ambos os réus respondem por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima — e a pena pode atingir 30 anos de reclusão em regime fechado. As defesas de Adriano Campos, representadas pelos advogados Renato Soares e Mauro Ribas, e de Gilberto Rodrigues, negam as acusações e buscam a absolvição perante o Conselho de Sentença.

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