ORÇAMENTO EM RISCO

Entenda o impacto das 'pautas-bomba' no orçamento do governo

Senado Federal com símbolo do Congresso Nacional
CCJ do Senado aprova PEC sobre aposentadoria para agentes de saúde e endemias

Projetos aprovados no Congresso Nacional geram despesas bilionárias e ameaçam a Lei de Responsabilidade Fiscal, especialmente em ano eleitoral. O impacto total pode ultrapassar R$ 2 trilhões em uma década.

{"blocks":[{"key":"12312","text":"O termo 'pauta-bomba', cada vez mais frequente no noticiário político-econômico, refere-se a propostas legislativas que criam despesas significativas para os cofres públicos ou reduzem a arrecadação. Em um cenário de votações intensas no Congresso Nacional, essas medidas impactam diretamente as finanças do país e podem violar a Lei de Responsabilidade Fiscal.","type":"paragraph"},{"key":"45678","text":"Essas iniciativas representam um desafio, especialmente em um ano eleitoral, pois sua aprovação pode gerar desgaste na imagem do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Recentemente, tanto a Câmara quanto o Senado avançaram em pautas com essas características, mas os projetos ainda dependem de aprovação final em todas as instâncias do Legislativo.","type":"paragraph"},{"key":"90123","text":"O pano de fundo para essa dinâmica inclui uma relação por vezes desgastada entre o governo e o Congresso, notadamente com o Senado. Divergências entre o presidente Lula e figuras como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, têm marcado o cenário político.","type":"paragraph"},{"key":"abcde","text":"O impacto financeiro dessas propostas é substancial. Quatro projetos em análise no Legislativo podem levar a um aumento de gastos ou perda de arrecadação superior a R$ 2 trilhões nos próximos dez anos. Entre as principais iniciativas estão a que trata de Dívidas Rurais (PL 5122/23), com impacto estimado em R$ 1,4 trilhão; a PEC das Igrejas (PEC 5/23), que prevê uma perda de R$ 100 bilhões e elevação de impostos para pessoas físicas e empresas; a Aposentadoria dos Agentes Comunitários de Saúde (PEC 14/21), com custo de R$ 500 bilhões para a União; e o Piso de Médicos e Dentistas (PL 1365/22), estimado em R$ 500 bilhões para o governo federal, sem contar o efeito para os municípios.","type":"paragraph"},{"key":"fghij","text":"Com exceção da PEC das igrejas, que não gera perda direta de arrecadação, as demais propostas implicam aumento de despesas e, consequentemente, da dívida pública brasileira. O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já alertou que a taxa de juros no Brasil é elevada justamente pelo atual nível de endividamento. O objetivo é frear a inflação e permitir uma queda sustentável dos juros, beneficiando a sociedade.","type":"paragraph"},{"key":"klmno","text":"O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou a necessidade de que as propostas em análise sejam avaliadas "à luz da Lei de Responsabilidade Fiscal, que não vale só pro governo, vale também pro Congresso". Ele destacou a importância da responsabilidade fiscal para todos os entes. O ministro tem contado com o apoio de figuras como o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que tem criticado a criação de despesas sem a devida previsão de fontes de recursos para cobrir os rombos nos cofres públicos.","type":"paragraph"}]}

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