FENÔMENO METEOROLÓGICO SEVERO
Entenda como nasce um ciclone-bomba e por que ele pode provocar estragos
Meteorologistas monitoram a intensificação de um ciclone extratropical no Atlântico; rajadas de vento podem superar os 100 km/h.
Um ciclone extratropical que se formou entre o Uruguai, o litoral do Rio Grande do Sul e o Oceano Atlântico na noite da última quinta-feira (6) pode se intensificar rapidamente nesta sexta-feira (7). A decisão de monitorar o sistema foi tomada por meteorologistas para antecipar riscos à população, uma vez que a queda acentuada na pressão atmosférica pode classificar o fenômeno como um ciclone-bomba.
A gravidade deste evento reside na rapidez com que o sistema ganha força, o que reduz o tempo de resposta para serviços de emergência e concessionárias de energia. O fenômeno acontece por um processo conhecido como ciclogênese explosiva, disparado pelo choque entre massas de ar com temperaturas muito distintas.
Impactos em terra e riscos à população
Embora o centro do sistema deva permanecer sobre o oceano, os danos em solo são provocados pela frente fria associada e pelas tempestades periféricas. Segundo modelos meteorológicos, rajadas de vento podem variar de 90 a 110 km/h em áreas como o litoral paulista, a Serra do Mar, o Vale do Paraíba, a Costa Verde e o sul do estado do Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, as marcas também podem superar os 91 km/h.
O impacto vai além do vento: o solo já encharcado, aliado à chuva intensa, eleva o risco de deslizamentos e quedas de árvores, colocando em xeque a infraestrutura das cidades. Nas zonas costeiras, a preocupação central volta-se para a erosão da faixa de areia e danos a estruturas próximas ao mar causados pela ressaca.
A ocorrência de ciclones-bomba é um evento típico das latitudes médias. Embora frequentes sobre grandes massas oceânicas durante períodos de frio intenso, a sua proximidade com regiões habitadas no Brasil exige vigilância constante de órgãos de Defesa Civil, visto que a vulnerabilidade das redes elétricas aéreas e a fragilidade de construções podem intensificar as perdas materiais e os transtornos para as comunidades locais.
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