JULGAMENTO POR FEMINICÍDIO
Empresário que forjou acidente para ocultar feminicídio enfrentará Tribunal do Júri
Decisão judicial determina que Alison de Araújo Mesquita responda por homicídio e fraude processual após morte de Henay Rosa Gonçalves Amorim.
O empresário Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos, será julgado pelo Tribunal do Júri pela morte de sua companheira, Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos. A decisão foi proferida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes, do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, e oficializada em 13 de julho de 2026, com o objetivo de levar a julgamento a responsabilidade criminal pelo feminicídio e pela tentativa de encobrimento do crime através de um acidente forjado.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o crime ocorreu em 14 de dezembro de 2025. O acusado teria asfixiado a vítima em um apartamento no bairro Nova Suíça, na Região Oeste de Belo Horizonte, após ela manifestar o desejo de terminar o relacionamento. A crueldade do ato reflete o histórico de violência doméstica enfrentado por Henay, marcando um caso de extrema objetificação da mulher e misoginia, conforme registrado nos autos do processo.
Após o assassinato, Alison de Araújo Mesquita executou uma estratégia para ludibriar as autoridades: colocou o corpo de Henay Rosa Gonçalves Amorim no banco do motorista e assumiu o lugar do passageiro. Ele percorreu o trecho entre Belo Horizonte e o Centro-Oeste de Minas, provocando, na sequência, uma colisão contra um micro-ônibus na MG-050, em Itaúna. O objetivo era simular que o falecimento tivesse ocorrido em decorrência da batida.
A farsa foi desarticulada com a prisão do empresário no dia seguinte ao crime, durante o próprio velório da vítima. Alison de Araújo Mesquita responde agora por feminicídio qualificado — por meio cruel, violência doméstica e recurso que dificultou a defesa — e por fraude processual. A decisão é passível de recurso, e uma nova data para o julgamento ainda deverá ser agendada pelo Tribunal.
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