LAVAGEM DE DINHEIRO

Empresário brasileiro ligado a esquema de lavagem de dinheiro tem conexões com o caso VaideBet

Escudo do clube de futebol Corinthians
Escudo do Corinthians

Victor Shimada, sancionado pelos EUA por suposta ligação com o PCC, teve sua empresa citada em investigação sobre contrato de patrocínio do Corinthians.

O empresário brasileiro Victor Henrique de Oliveira Shimada, que as autoridades dos Estados Unidos apontam como um elo em uma rede de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), teve sua empresa citada em investigações sobre o caso VaideBet. A apuração envolve um contrato de patrocínio entre a casa de apostas e o Corinthians, firmado em janeiro de 2024.

Na quarta-feira, 1º de julho de 2026, o Departamento do Tesouro norte-americano anunciou sanções contra Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, três empresas brasileiras e uma portuguesa. Segundo os EUA, Shimada agia como um “elo-chave” entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais, facilitando a lavagem de mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos obtidos em cidades dos Estados Unidos. A Victory Trading, empresa de Shimada, teria sido usada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária, conforme comunicado do Tesouro, que, no entanto, não menciona o Corinthians nominalmente.

No Brasil, Shimada já havia sido denunciado pelo Ministério Público de São Paulo em julho de 2025 por lavagem de dinheiro no contexto da investigação sobre o caso VaideBet. A Polícia Civil indicou que a Victory Trading operava como uma “conta de passagem” em movimentações financeiras, recebendo e redistribuindo valores de outras companhias ligadas ao fluxo investigado, o que dificultava o rastreamento da origem do dinheiro.

A investigação brasileira também identificou conexões entre a Victory Trading, a Wave Intermediações e a UJ Football Talent. Informações veiculadas pela Folha de S.Paulo apontam que a empresa de Shimada recebeu R$ 13 milhões no esquema e repassou R$ 200 mil à UJ Football. Esta última companhia foi mencionada na delação de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, falecido em 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

O relatório da Polícia Civil sobre o caso VaideBet também sugere possíveis ligações entre pessoas e empresas investigadas e outros clubes paulistas. A apuração relacionada ao Corinthians resultou no indiciamento do ex-presidente Augusto Melo e de outros envolvidos pelos crimes de furto, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Melo, que foi posteriormente expulso do clube, nega todas as acusações.

É importante notar que as investigações conduzidas no Brasil não estabelecem que Shimada integre o PCC. Em declarações à BBC News Brasil, o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, afirmou não haver informações que conectem Victor, Stella ou suas empresas à facção criminosa no território brasileiro.

As sanções impostas pelos EUA visam bloquear bens e interesses de indivíduos e empresas listadas que estejam em solo americano ou sob controle de cidadãos dos EUA. Transações com os alvos sancionados também são proibidas, a menos que autorizadas pelo OFAC, órgão do Tesouro responsável pela aplicação dessas medidas. Esta é a primeira rodada de sanções contra alvos com possível ligação ao PCC desde que o governo dos EUA classificou a organização e o Comando Vermelho (CV) como "terroristas" internacionais em junho de 2026, reforçando a ofensiva contra a presença financeira do PCC em solo norte-americano.

O Poder360 buscou contato com Victor Henrique de Oliveira Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e representantes das empresas Victory Trading, Pixwave Soluções de Pagamentos, Wave Construções Inteligentes e Avenidas Flutuantes, mas não obteve sucesso em encontrar informações de contato válidas. O jornal digital seguirá tentando o contato e o texto será atualizado caso haja manifestação.

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