GOLPE FINANCEIRO DE ALTA PERDA
Empresária perde R$ 140 mil em golpe com falso boletim de ocorrência e QR Code
Criminosos usam documentos forjados e induzem vítimas a transferir dinheiro com falsas promessas. Especialistas alertam para golpes via SMS, QR Code e ligações.
Na semana passada, a empresária Franciele Gomes, de Barretos (SP), sofreu um prejuízo de aproximadamente R$ 140 mil após cair em um esquema elaborado por criminosos. A vítima realizou diversas transferências via Pix, acreditando estar cancelando transações fraudulentas, conforme as orientações de uma suposta gerente bancária. A situação foi agravada pelo recebimento de um boletim de ocorrência forjado, que a fez acreditar na veracidade das informações.
A informação sobre o boletim de ocorrência falso foi confirmada pelo delegado Marcelo Gambi. Ele explicou que a criação desse tipo de documento é exclusiva da vítima ou de autoridades policiais, e que nenhum banco ou instituição financeira o emite. Assim que percebeu a fraude, Franciele procurou a delegacia para registrar o caso real.
Segundo o delegado Gambi, a estratégia mais comum empregada pelos golpistas é a criação de um senso de urgência. Eles entram em contato com a vítima, informando sobre compras ou Pix de alto valor que não foram realizados, com o objetivo de gerar pânico e facilitar a adesão ao golpe. Em casos como esse, a vítima, sob pressão, acaba agindo sem refletir.
A orientação policial é clara: ao receber uma ligação onde a pessoa do outro lado solicita transferências via Pix, download de aplicativos ou compartilhamento de tela para supostamente cancelar uma operação, a recomendação é desligar imediatamente o telefone. Bancos não realizam esse tipo de contato para resolução de problemas financeiros.
Em situações de dúvida sobre a legitimidade de um documento ou de um atendimento, a polícia sugere que o cidadão procure pessoalmente a delegacia mais próxima ou a agência bancária. Essa consulta presencial é considerada o método mais seguro para confirmar informações e evitar cair em ciladas.
No caso de Franciele Gomes, além do boletim de ocorrência falso, os criminosos chegaram a simular notificações oficiais do Governo Federal, aumentando a credibilidade do golpe. "A todo momento, ela ia me passando segurança, falava 'fica tranquila, vai dar certo'. São especialistas, não é qualquer pessoa, já trabalharam com isso. Era muito perfeito, o código .gov, o boletim de ocorrência. Eu não desconfiei de nada", relatou a empresária.
É fundamental reforçar que nem a polícia nem as agências bancárias enviam documentos como o boletim de ocorrência para auxiliar clientes. O registro de um fato é sempre feito pela própria pessoa que se considera vítima. Se alguém apresentar uma cópia de boletim de ocorrência sugerindo uma solução para um problema, isso já configura um golpe.
Criminosos também têm falsificado QR Codes. Boletins de ocorrência eletrônicos originais contêm um código para download e autenticação, mas as quadrilhas inserem QR Codes falsos em documentos forjados, direcionando as vítimas para páginas clonadas. Boletins verdadeiros geram um número de protocolo que pode ser consultado no site oficial da Delegacia Eletrônica, e uma cópia autêntica é enviada ao e-mail cadastrado.
A atenção com links recebidos por SMS e WhatsApp é outra medida de segurança essencial. O golpe sofrido pela empresária de Barretos começou com uma mensagem via SMS alertando sobre o vencimento de milhas. Ao clicar no link, ela preencheu dados em uma página falsa, abrindo brechas para a ação dos golpistas. A Polícia Civil orienta a nunca clicar em links suspeitos, promoções duvidosas ou alertas de milhas recebidos por mensagens ou e-mails. Na dúvida, acesse o aplicativo oficial do banco ou o site da loja digitando o endereço diretamente no navegador.
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