TRABALHO ENVELHECE
Emprego para pessoas com mais de 60 anos cresce 53% em uma década, mas informalidade avança
Pesquisa da Nexus revela aumento de 53% nas ocupações para idosos entre 2016 e 2025. Apesar do avanço, vagas apresentam maior informalidade e ausência de direitos trabalhistas.
A ocupação de pessoas com 60 anos ou mais no Brasil registrou um crescimento expressivo de 53% na última década, superando o aumento populacional desse grupo, que foi de 37% no mesmo período. A constatação, divulgada pela Nexus em 14 de junho de 2026, indica que o emprego para idosos avança em ritmo mais acelerado que o envelhecimento da sociedade brasileira. Contudo, o estudo aponta que essas novas oportunidades de trabalho frequentemente se caracterizam pela informalidade, com ausência de carteira assinada e, consequentemente, de proteção trabalhista.
Entre 2016 e 2025, o contingente populacional de idosos no país expandiu de 25,8 milhões para 35,2 milhões, representando a transição de 13% para 17% da população total. Paralelamente, o número de trabalhadores com mais de 60 anos saltou de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões. No fim de 2025, 25% dos idosos estavam ocupados, o maior índice em dez anos, um aumento em relação aos 22% registrados em 2016. Em contraste, o crescimento populacional geral foi de 5%, atingindo 212,6 milhões de pessoas, enquanto o número de empregos no país subiu 14,6%, chegando a aproximadamente 103 milhões de trabalhadores.
A pesquisa da Nexus baseou-se na Pnad Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que abrange todas as formas de ocupação para pessoas a partir de 14 anos, incluindo trabalhos com ou sem carteira assinada, temporários e por conta própria. A metodologia considera desocupada apenas a pessoa que buscou ativamente por uma vaga.
Avanço da informalidade entre idosos
A análise revelou que mais da metade (53%) dos idosos ocupados em 2025 trabalhavam em condições informais, um índice superior ao da população geral (38%) e dos jovens de 18 a 24 anos (41%). O IBGE define como informais empregados sem carteira assinada e autônomos sem CNPJ. Nessas condições, os trabalhadores perdem direitos essenciais como férias, contribuição para a Previdência Social e o 13º salário, impactando diretamente a dignidade e a segurança financeira na terceira idade.
Este cenário se desenrola em um contexto de reforma da Previdência, que estabeleceu idades mínimas para aposentadoria: 62 anos para mulheres com 15 anos de contribuição e 65 anos para homens com 20 anos de contribuição. Anteriormente, mulheres podiam se aposentar aos 60 anos, sem idade mínima para aposentadoria por tempo de contribuição para ambos os sexos.
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