DECISÃO ELEITORAL CRUCIAL
Eleitores independentes podem decidir eleições presidenciais no Brasil
Análise da Quaest aponta que 32% do eleitorado, desvinculado de ideologias e buscando pragmatismo, surge como fator determinante para o desfecho da disputa presidencial.
A 100 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, um grupo estratégico de eleitores, os independentes, tornou-se o principal foco das pré-campanhas. Somando 32% do eleitorado brasileiro, essa parcela da população é vista como o fator capaz de desempatar a disputa pelo comando do país.
Eleitores independentes são definidos como aqueles que não se identificam com a esquerda ou a direita, nem se declaram lulistas ou bolsonaristas. O conceito, cunhado pelo diretor da Quaest, Felipe Nunes, baseia-se na análise das oscilações de preferência desse segmento ao longo do tempo. Segundo Nunes, esse grupo é pragmático, priorizando temas como defesa da democracia, segurança pública, combate à corrupção e desburocratização, em detrimento de fortes alinhamentos ideológicos.

Recentemente, o cenário eleitoral indicou uma virada na preferência dentro desse grupo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), buscando a reeleição, apresentou uma vantagem de 13 pontos sobre o seu principal opositor, Flávio Bolsonaro (PL), em simulações de segundo turno, atingindo 37% das intenções de voto contra 24% de Bolsonaro. "A abertura de vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no cenário de segundo turno está associada a uma perda de tração de Flávio em segmentos fora do núcleo lulista, especialmente entre eleitores independentes. Esse é um dado relevante para acompanhar nas próximas rodadas, porque pode indicar uma mudança no comportamento de grupos menos alinhados ideologicamente", explicou Nunes.
A alteração na preferência dos independentes ocorreu em resposta a dois episódios recentes. No Caso Master, Flávio Bolsonaro foi criticado por interceder em favor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeitas de corrupção. Pesquisa Quaest revelou que 65% dos independentes acreditam que o senador sabia das irregularidades e 67% consideram que ele agiu de forma inadequada ao fazer o pedido. Paralelamente, após uma visita de Bolsonaro aos Estados Unidos, o país anunciou medidas de aumento de taxação de produtos brasileiros e classificou facções criminosas do Brasil como terroristas. Nesse contexto, 41% dos independentes passaram a considerar que Lula defende melhor os interesses do Brasil que Flávio, e 39% concordaram com a visão de Lula de que as taxas americanas foram uma retaliação ao PIX.
Os eleitores independentes compõem a maioria em diversas regiões do país, com 34% no Sul e 32% tanto no Sudeste quanto no Nordeste. Esse grupo também é expressivo entre os que ganham até cinco salários mínimos, representando 35% daqueles com renda de até dois salários. Apesar de sua relevância, o grande desafio para os candidatos é a apatia política que atinge esse eleitorado. Apenas 10% declaram intenção de votar, enquanto a maioria demonstra desânimo ou inclinação ao voto nulo ou branco. Nos próximos três meses, até 4 de outubro, a missão dos presidenciáveis será não apenas conquistar a confiança desses eleitores, mas também motivá-los a comparecer às urnas.
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