ALERTA ECONÔMICO
El Niños “muito fortes” encareceram a conta de luz no Brasil, aponta levantamento
Fenômeno climático tem 63% de chance de ocorrer no 2º semestre deste ano e já pressiona tarifas. Impacto em 2026 pode ser um dos maiores desde 1950.
Meses com El Niño classificados como 'muito forte' resultaram no maior peso médio das bandeiras tarifárias na conta de luz dos brasileiros. Essa constatação vem de um levantamento do Poder360, que analisou dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), agência climática dos Estados Unidos. A pesquisa buscou entender como o fenômeno climático afeta o bolso do consumidor.
Em períodos de El Niño 'muito forte', o custo adicional cobrado pelas bandeiras tarifárias representou, em média, 7,6% da tarifa-base residencial de energia elétrica. Esse percentual é surpreendentes 62,1% superior aos 4,7% registrados em meses sem a ocorrência do fenômeno. O estudo comparou o valor adicional cobrado por quilowatt-hora (kWh) com a média nacional da tarifa-base residencial de cada mês, considerando desde janeiro de 2015, quando o sistema de bandeiras entrou em vigor. Em meses sem custo adicional (bandeira verde), o peso considerado foi de 0%.
O levantamento detalha que o impacto do El Niño na conta de luz varia conforme a intensidade do fenômeno. Meses de El Niño 'muito forte' tiveram um peso médio de bandeira de 7,6%, seguidos por 'moderado' (5,3%), sem El Niño (4,7%), 'fraco' (3,5%) e 'forte' (2,7%).
A relação entre El Niño e o aumento da conta de luz não é automática, mas sim indireta. O fenômeno interfere no regime de chuvas, impactando a geração de energia nas hidrelétricas. Com menor disponibilidade de água nos reservatórios ou condições hidrológicas adversas, o sistema elétrico pode necessitar acionar usinas térmicas, cuja energia é mais cara. Esse custo adicional é repassado ao consumidor por meio das bandeiras tarifárias. Contudo, o efeito real depende de múltiplos fatores, como a localização e o período das chuvas, o nível dos reservatórios, a demanda por energia, a oferta de outras fontes e as decisões operacionais do sistema.
As previsões climáticas indicam um cenário de atenção. Nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, a NOAA anunciou que as condições de El Niño já se manifestam no Pacífico Equatorial e devem se intensificar durante o inverno do Hemisfério Norte de 2026-2027. A probabilidade de o fenômeno atingir intensidade 'muito forte' entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 é de 63%, o que o posicionaria entre os eventos mais significativos desde 1950.
No Brasil, o impacto na conta de luz dependerá diretamente do volume de chuvas nas bacias hidrográficas que abastecem as hidrelétricas. Em 10 de junho de 2026, o governo informou em reunião do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) que as chuvas em maio ficaram abaixo da média nas regiões Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Apenas o Sul registrou volume acima do esperado.
Para junho de 2026, a perspectiva continua preocupante. Dados apresentados ao CMSE sugerem que o volume de água a chegar às hidrelétricas pode variar entre 67% e 76% da média histórica, configurando, no pior cenário, o 4º menor patamar em 96 anos. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) segue monitorando as condições hídricas e dos reservatórios para ajustar a operação do sistema.
Atualmente, a bandeira tarifária em vigor para junho de 2026 é a amarela, que representa um acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
A metodologia utilizada no levantamento compara o valor adicionado por kWh da bandeira tarifária de cada mês com a média da tarifa-base. A classificação da intensidade dos El Niños baseou-se nos parâmetros estabelecidos pela NOAA.
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