FALTA DE ESCOLARIDADE

Educação de Jovens e Adultos: 63,9 milhões de brasileiros sem educação básica completa

Estudantes em sala de aula, ensino médio
Estudantes em sala de aula, ensino médio

Estudo revela que mortalidade supera escolarização na redução da demanda por EJA. Pesquisadores alertam para baixa efetividade de políticas públicas.

O Brasil registra um alarmante número de 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não concluíram a educação básica. Este dado, divulgado nesta terça-feira, 7 de julho de 2026, pela Rede EJA e Inclusão Produtiva, representa 37,3% da população nesta faixa etária, evidenciando um grave desafio para a dignidade e o desenvolvimento humano no país.

A análise do estudo aponta que a diminuição do número de pessoas em busca da Educação de Jovens e Adultos (EJA) não se deve ao avanço na conclusão dos estudos. Desde 2012, a mortalidade da população com idades correspondentes à EJA foi responsável por 51% da queda na demanda, enquanto apenas 8% foi atribuída à escolarização efetiva. Para cada indivíduo que conseguiu finalizar a educação básica pela EJA nesse período, mais de seis faleceram sem atingir essa meta.

Estudantes em sala de aula, ensino médio
Estudantes em sala de aula, ensino médio

O relatório destaca a fragilidade das políticas públicas destinadas à população adulta e o risco de o Brasil negligenciar a oportunidade de promover a escolarização de gerações mais velhas, comprometendo seu potencial e inclusão social.

PORCENTAGEM ATENDIDA PELO EJA

Atualmente, a EJA atende apenas 1,5% da demanda potencial, um percentual extremamente baixo. O número de municípios sem oferta dessa modalidade mais que dobrou entre 2008 e 2024, saltando de 493 para 1.092. Em 2026, apenas 24,6% das escolas de educação básica ofereciam turmas regulares para jovens e adultos, uma realidade preocupante que restringe o acesso e a oportunidade de recomeço.

A baixa escolaridade representa uma perda econômica anual estimada em R$ 66 bilhões em renda. A pesquisa projeta que, se metade das pessoas que não concluíram a educação básica o fizessem, o ganho potencial para a economia seria de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), demonstrando o impacto direto da educação no progresso nacional.

O levantamento foi realizado pela Fundação Roberto Marinho, Fundação Bradesco, Fundação Itaú Educação e Trabalho e Fundação Arymax, com o apoio da Unesco. Os dados foram apresentados durante o lançamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva, uma iniciativa que congrega 16 organizações com o objetivo de expandir o acesso à Educação de Jovens e Adultos em todo o Brasil, buscando reverter este cenário desafiador.

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