FINANCIAMENTO OPACO
Eduardo Bolsonaro detalha custeio de filme em meio a investigações da PF
Ex-deputado afirma ter investido R$ 350 mil e sido reembolsado; Polícia Federal apura repasses de US$ 2 milhões para fundo ligado a ele.
Eduardo Bolsonaro confirmou nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, ter investido R$ 350 mil de recursos próprios no início da produção do filme "Dark Horse", a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou ter sido reembolsado após a entrada de investidores, uma declaração crucial que surge em meio a uma investigação da Polícia Federal sobre possíveis irregularidades no financiamento da obra e o elo com transferências milionárias para os Estados Unidos. A controvérsia levanta questionamentos sobre a transparência no custeio de projetos de figuras públicas, impactando a confiança da sociedade na integridade de seus representantes.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Eduardo detalhou que converteu os R$ 350 mil em aproximadamente US$ 50 mil e enviou o montante aos Estados Unidos. O objetivo, segundo ele, era garantir um contrato com um diretor de Hollywood, assegurando a elaboração do roteiro e o desenvolvimento da história por dois anos enquanto a equipe buscava investidores para viabilizar o longa-metragem. "Eu consegui segurar o diretor de Hollywood por 2 anos com esse contrato", explicou, destacando o risco financeiro assumido integralmente naquele período, quando atuava como diretor executivo do projeto.
O ex-deputado descreveu que, próximo ao término desse contrato inicial, surgiu a oportunidade de um grande investidor, que posteriormente evoluiu para um grupo de investidores, impulsionando a produção. Neste momento, Eduardo relatou ter deixado a função executiva, passando a manter apenas um vínculo relacionado aos direitos de imagem. "Passei então a ser somente uma pessoa que assinou a sua seção de direitos autorais para que um ator pudesse me representar no filme e depois eu não processasse o filme", esclareceu.
Ele negou categoricamente ter recebido qualquer verba do fundo de investimento. Seu recebimento, segundo a versão de Eduardo, foi apenas o reembolso do valor inicialmente aportado, diretamente da produtora e não do fundo. "Recebi o dinheiro que era meu, eu acho até que nem foi corrigido esse dinheiro, inclusive, 100% do risco, US$ 50 mil faz falta para mim, é por isso que a gente conseguiu confeccionar esse filme", reiterou, enfatizando que os US$ 50 mil representavam um risco significativo para ele.
A manifestação de Eduardo Bolsonaro ganha relevância no contexto de uma apuração conduzida pela Polícia Federal. As investigações buscam esclarecer se recursos solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro ao empresário Daniel Vorcaro foram, de fato, utilizados para cobrir despesas do ex-deputado nos Estados Unidos. A suspeita intensificou-se após a produtora do filme negar ter recebido qualquer valor do Banco Master.
Essa negativa contrasta com a transferência de US$ 2 milhões para o Havengate Development Fund LP, um fundo sediado no Texas e administrado por um advogado que possui ligações com Eduardo Bolsonaro. A disparidade entre as informações alimenta a complexidade do caso e a necessidade de elucidação sobre a origem e o destino dos recursos.
Inicialmente, o deputado Mário Frias, também produtor do filme, havia negado qualquer relação com Vorcaro. Contudo, em um desdobramento posterior, Frias admitiu que houve, sim, um aporte financeiro por parte do empresário, adensando o cenário de inconsistências e a urgência por respostas claras.
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