ALIANÇAS CRUZADAS

Eduardo Bolsonaro chancela aliado do "Centrão" em SP

André do Prado e Eduardo Bolsonaro, candidatura ao Senado PL SP.
André do Prado, atual chefe da Alesp, ao lado de Eduardo Bolsonaro, que chancelou sua candidatura ao Senado por São Paulo.

André do Prado, ex-apoiador de Márcio França (Lula), é o nome do PL para o Senado. Bolsonaristas criticam a escolha.

O PL de São Paulo definiu, nesta sexta-feira, 08/05/2026, que o atual chefe da Assembleia Legislativa do estado, André do Prado, será seu candidato ao Senado, uma decisão chancelada por Eduardo Bolsonaro que realinha o tabuleiro político paulista e expõe a complexa teia de alianças e ideologias dentro do partido. A escolha, fruto de intensa articulação do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, gerou críticas internas de bolsonaristas, que veem em Prado um perfil mais alinhado ao "Centrão" do que à essência do movimento.

A situação ganha mais complexidade ao revelar o histórico político de André do Prado. Há oito anos, nas eleições de 2018, quando Jair Bolsonaro ascendeu à presidência, Prado figurou como um apoiador proeminente do então governador Márcio França (PSB), que hoje atua como ex-ministro do Microempreendedorismo no governo Lula. França buscava a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, e o suporte de Prado, que então almejava manter sua cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), era visível.

O registro desse apoio, um contraponto notável à sua atual filiação bolsonarista, ainda persiste nas redes sociais do deputado estadual. Em publicações daquele período, Prado instava eleitores a votarem em Márcio França no primeiro turno de 2018, um pleito marcado pela ascensão de João Doria (então no PSDB), que capitalizou sobre o slogan “Bolsodoria” para atrair votos e se eleger.

O cenário político para 2026 aponta para um possível reencontro nas urnas. Márcio França, atualmente, ainda busca seu espaço na esquerda paulista, articulando-se para uma candidatura em São Paulo. Uma das conjecturas coloca o ex-ministro como potencial suplente de Marina Silva ao Senado, numa disputa direta contra André do Prado, seu antigo aliado.

A indicação de Prado para a corrida ao Senado por São Paulo não foi um processo simples. Conforme a apuração, a consolidação de seu nome ocorreu após intensas movimentações do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Foi ele quem orquestrou um encontro crucial entre o deputado e Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, selando a aliança.

Eduardo Bolsonaro, naturalmente cotado como o principal candidato do PL ao Senado paulista, optou por se autoexilar nos Estados Unidos. O objetivo declarado era exercer pressão internacional contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), abrindo caminho para outro nome na chapa.

Para persuadir Eduardo a apoiar André do Prado, Valdemar Costa Neto argumentou sobre a robusta base de apoio que o deputado construiu durante sua presidência na Alesp. Essa rede de influência, conforme o presidente do PL, poderia ser o diferencial na acirrada eleição ao Senado.

A configuração final da chapa prevê que Eduardo Bolsonaro atuará como suplente de André do Prado. Essa decisão, entretanto, não foi unânime e provocou críticas significativas entre a base bolsonarista mais fiel. Muitos consideram que o perfil político de Prado está mais próximo do "Centrão" do que dos ideais puramente bolsonaristas, levantando questionamentos sobre a coerência ideológica da candidatura.

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