FIM DO BURNOUT

Durigan defende 40 horas semanais e fim da escala 6x1

Dario Durigan, Ministro da Fazenda, em entrevista
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov.

Ministro da Fazenda propõe 2 dias de descanso sem redução salarial e sem novos incentivos fiscais para empresas.

O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, a adoção de uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial para os trabalhadores. A posição do governo, anunciada durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, busca encerrar a escala 6x1, reconhecendo o impacto da hiperconectividade e da alta produtividade na saúde mental dos brasileiros. A mudança visa garantir maior dignidade e combater o burnout, especialmente entre os três em cada dez trabalhadores de baixa renda que hoje se encontram nessa modalidade mais exaustiva, sem que as empresas recebam novos benefícios fiscais para a transição.

Durigan salientou que o debate sobre o fim da escala 6x1 é uma discussão "geracional", impulsionada pelas transformações nas relações de trabalho e pela rotina extenuante enfrentada por muitos profissionais. "É preciso olhar para o que está acontecendo no mundo, para o que está acontecendo na vida e no trabalho das pessoas", declarou o ministro.

Segundo o chefe da equipe econômica, o aumento da produtividade e a constante conexão com as demandas profissionais têm levado a um cenário de exaustão generalizada. "O que eu sinto do trabalho hoje é que está todo mundo próximo do burnout. Hoje está todo mundo conectado, acompanhando tanto as notícias do mundo quanto os andamentos da sua própria empresa. Todo mundo virou empreendedor de si próprio", analisou Durigan.

A proposta governamental, que já é tema de discussões no Congresso Nacional, visa garantir dois dias consecutivos de descanso semanal remunerado, preferencialmente aos sábados e domingos. O projeto em análise reduziria o limite semanal de 44 para 40 horas, mantendo a jornada diária de oito horas, mesmo em escalas especiais, consolidando o modelo 5x2.

Um dos pontos cruciais defendidos por Durigan é a manutenção dos salários. "A ideia aqui é reconhecer o ganho de produtividade e fazer com que a gente transicione de uma realidade em que a pessoa tem um dia para descansar para 2 dias de descanso", explicou. Além disso, o ministro foi enfático ao afirmar que a alteração não implicará em novos incentivos ou benefícios fiscais para as empresas. "É 40 horas por semana, com 2 dias por semana, sem redução de salário e sem compensação com benefício fiscal", reiterou.

O impacto dessa medida é ainda mais sensível para os trabalhadores de baixa renda. Durigan revelou que, no Brasil, "3 de cada 10 trabalhadores estão na escala 6x1". Desse grupo, cerca de 80% recebem até dois salários mínimos. "Quem tem mais alta renda está conseguindo ter escalas mais razoáveis durante a semana. E o de mais baixa renda está trabalhando, tendo que trabalhar 6x1", contextualizou, apontando a disparidade e a urgência da mudança para este segmento da população.

Embora o governo se mostre aberto a discutir transições específicas para certos setores, a ideia de ampliar desonerações tributárias é firmemente rejeitada. Durigan justificou a postura citando experiências anteriores malsucedidas. "A desoneração da folha não deu certo. Ela traz um prejuízo grande para o Estado e, portanto, para as políticas públicas", afirmou. O Ministro da Fazenda ainda defendeu políticas focadas na produtividade, como o acesso a crédito barato para pequenas empresas e a capacitação profissional, em vez de novos benefícios fiscais ineficazes.

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