DIAGNÓSTICO PRECOCE SALVA

Dr. Kalil e neurologistas explicam Parkinson na CNN Brasil

Especialistas em neurologia, incluindo Dr. Roberto Kalil, abordam a doença de Parkinson em programa de TV.
Dr. Roberto Kalil e neurologistas discutem Parkinson no CNN Sinais Vitais.

Sinais como voz baixa e escrita miúda confundem diagnóstico da doença. Especialistas revelaram detalhes cruciais no programa de 9 de maio de 2026.

Os desafios do diagnóstico da doença de Parkinson e suas sutis manifestações clínicas foram o centro de uma importante discussão no CNN Sinais Vitais, exibido no último sábado, 9 de maio de 2026. Especialistas como o Dr. Roberto Kalil e os neurologistas Roberta Saba e Rubens Cury desvendaram os sinais iniciais frequentemente confundidos com o envelhecimento, um passo crucial para acelerar o acesso ao tratamento e promover uma melhor qualidade de vida aos pacientes.

Os sintomas iniciais da doença de Parkinson costumam ser discretos e de difícil identificação, o que torna o diagnóstico um processo complexo e, muitas vezes, demorado. Entre os primeiros sinais estão a diminuição do tom de voz, alterações na escrita e a redução da expressão facial, que podem impactar a comunicação e a interação social do indivíduo, afetando sua dignidade e autonomia.

A neurologista Roberta Saba, especialista em transtornos do movimento e Parkinson na Unifesp (Universidade Fedeeral de São Paulo), enfatizou que nem todos os pacientes com a doença apresentam tremor. "Ele pode apresentar uma forma de rigidez e de lentidão ou uma forma tremulante", esclareceu.

Entre os primeiros sinais que podem surgir, ela mencionou a diminuição do tom da voz ou rouquidão, uma situação em que familiares e amigos podem notar que o paciente fala mais baixo ou de forma embolada. Este sintoma, muitas vezes, dificulta a comunicação, isolando o indivíduo.

Outro indicador precoce destacado por Saba é a micrografia, uma alteração na escrita em que a letra fica progressivamente menor, afetando a capacidade de realizar tarefas cotidianas e profissionais. A redução da expressão facial, ou hipomimia, e a lentidão nas atividades diárias também foram apontadas como manifestações iniciais. "Esses são os sinais mais sutis podem ser confundidos com o envelhecimento, atrasando a busca por ajuda especializada", alertou a neurologista.

Roberta Saba explicou ainda que a doença de Parkinson geralmente começa de forma unilateral, afetando inicialmente apenas um lado do corpo. Ela relatou o caso de uma paciente que percebeu o problema ao se ver em um espelho: "Quando ela caminhava, um lado do corpo dela, o braço não movimentava." Esse fenômeno, chamado de bradicinesia, refere-se à diminuição do movimento e é um sinal característico da doença, que gradualmente compromete a independência do paciente.

A especialista também fez um alerta crucial para a importância de não confundir o tremor do Parkinson com o tremor essencial. Enquanto o tremor essencial ocorre durante o movimento, como ao escrever ou segurar um objeto, o tremor do Parkinson acontece em repouso, quando não há contração muscular. "São tremores diferentes. Isso é muito importante para não fazer uma confusão em termos de diagnóstico e iniciar o tratamento correto", ressaltou Saba, reforçando a necessidade de um diagnóstico preciso para uma vida com mais qualidade.

Diagnóstico desafiador e demorado

Rubens Cury, coordenador do Grupo de Distúrbios do Movimento e Doença de Parkinson do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP), explicou por que o diagnóstico da doença ainda representa um desafio significativo. Segundo ele, quando os sintomas iniciais não incluem tremor, o paciente pode buscar outros especialistas antes de finalmente chegar ao neurologista, perdendo um tempo valioso.

"O paciente, às vezes, procura um ortopedista porque estava com o ombro um pouco dolorido", exemplificou Cury, ilustrando a jornada muitas vezes errática de quem busca respostas.

Cury acrescentou que, nas formas mais rígidas da doença, o diagnóstico tende a demorar ainda mais. Mesmo neurologistas experientes podem não conseguir fechar o diagnóstico na primeira consulta, sendo necessário acompanhar a evolução dos sintomas ao longo do tempo. "Às vezes, inclusive, tratar como se fosse um Parkinson e ver a resposta terapêutica", disse, explicando que a resposta à reposição de dopamina é um dos critérios utilizados para confirmar o diagnóstico, garantindo que o tratamento seja o mais adequado possível.

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