SAÚDE ESSENCIAL

Dr. Kalil e especialistas explicam quando a insônia exige tratamento

Homem deitado na cama, olhando para o teto, com expressão de preocupação, simbolizando a insônia.
Dr. Kalil e especialistas discutem a importância do tratamento da insônia para a saúde e longevidade.

A dificuldade para dormir afeta a qualidade de vida e encurta a longevidade, exigindo tratamento imediato. Especialistas em sono detalham os tipos do distúrbio e a ligação direta com Alzheimer.

A insônia deixa de ser um problema ocasional e exige tratamento médico especializado quando começa a comprometer seriamente a qualidade de vida e as funções diárias de um indivíduo. Essa importante avaliação veio de renomados especialistas, entrevistados pelo Dr. Roberto Kalil no programa CNN Sinais Vitais, exibido no sábado, 02 de maio de 2026. A discussão aprofundou os tipos de insônia, seus graves impactos na saúde, incluindo a longevidade e a saúde cerebral, e as opções terapêuticas disponíveis, ressaltando a urgência de buscar ajuda quando o sono se torna um fardo constante.

Segundo o pneumologista Geraldo Lorenzi-Filho, diretor do Laboratório do Sono do InCor, é compreensível que situações de estresse pontual, como a preparação para uma prova, causem alguns dias de dificuldade para dormir. Contudo, o verdadeiro problema surge quando esse quadro se estende por semanas e começa a afetar o desempenho e o bem-estar do indivíduo ao longo do dia.

“Se isso se estende por semanas e começa a causar prejuízo para o seu dia, aí você tem que procurar ajuda, porque isso é uma insônia que está causando sintomas”, afirmou o Dr. Lorenzi-Filho, destacando a importância de não subestimar os sinais.

Geraldo Lorenzi-Filho explicou que o diagnóstico da insônia é essencialmente clínico e que o distúrbio se manifesta de três formas distintas, cada uma com suas particularidades e impactos. A primeira é a dificuldade de iniciar o sono, um sintoma mais frequente em pessoas com quadros de ansiedade. A segunda manifestação é a dificuldade de manter o sono, quando o indivíduo consegue adormecer, mas não permanece dormindo por tempo suficiente, fragmentando seu descanso. A terceira é o despertar precoce, situação em que a pessoa acorda muito antes do horário desejado e não consegue retornar ao sono, acumulando um déficit significativo ao longo do tempo.

Sono e longevidade: uma conexão vital

O cardiologista Luciano Drager, da Unidade de Hipertensão do InCor, enfatizou a relação direta e profunda entre a qualidade do sono e a expectativa de vida humana. “As pessoas que estão com distúrbios do sono de forma importante, como ter uma apneia, como ter uma insônia, ter uma privação do sono, elas encurtam a vida”, alertou, sublinhando que o sono não é apenas descanso, mas um pilar da saúde.

Segundo o Dr. Drager, respeitar a qualidade, a quantidade e a regularidade do sono, além de tratar eventuais distúrbios, são passos fundamentais que podem contribuir significativamente para prolongar a vida. Luciano também ressaltou a importância crucial do sono para a saúde cerebral, um aspecto que se torna ainda mais relevante na terceira idade.

O cardiologista explicou que, de acordo com pesquisas recentes, é durante as horas de sono que o organismo executa um processo vital: a remoção de substâncias tóxicas que se acumulam no cérebro. Essas substâncias estão associadas diretamente a doenças neurodegenerativas graves, como o Alzheimer e outras formas de demência. “Dormir bem vai ser essencial para a longevidade e, digo mais, com qualidade”, concluiu, reforçando a mensagem de que um sono reparador é um investimento na vida.

Tratamentos disponíveis e a importância do acompanhamento

Geraldo Lorenzi-Filho apontou que a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é amplamente considerada a melhor abordagem para o tratamento da insônia. A TCC trabalha na modificação de hábitos e padrões de pensamento que interferem no sono, promovendo rotinas saudáveis como horários regulares para dormir e acordar, e a prática consistente de exercícios físicos, que impactam positivamente a arquitetura do sono.

O especialista também mencionou avanços recentes na medicina, destacando o uso de medicações para perda de peso. Esses novos fármacos demonstraram uma capacidade significativa de reduzir a apneia obstrutiva do sono em pacientes obesos, uma condição que frequentemente acompanha e agrava a insônia. “Cada 10% do peso que você perde, por causa da deposição de gordura, você melhora a apneia em 30%”, explicou, ilustrando o impacto direto da gestão do peso na qualidade respiratória durante o sono.

Além disso, existem medicamentos tanto para induzir quanto para manter o sono. No entanto, o pneumologista fez um alerta crucial: seu uso deve ser feito com extrema cautela e sempre acompanhado de uma avaliação médica detalhada. É fundamental que se identifiquem e corrijam os hábitos que contribuem para o sono de má qualidade, garantindo que a medicação seja um suporte e não uma solução isolada.

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