IMPACTO ECONÔMICO INESPERADO

Donald Trump celebra alta da inflação em meio a guerra no Irã

Donald Trump em coletiva de imprensa.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala a jornalistas.

Presidente dos Estados Unidos expressa otimismo com aumento de preços, que atingiu 4,2% em 12 meses, enquanto tensões no Oriente Médio elevam custos. Decisão de aprovar plano para petroleiros pelo Estreito de Ormuz visa mitigar impactos, segundo chefe de Estado.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira, 10/06/2026, que "adora" a inflação, após o índice registrar uma alta de 4,2% no período de 12 meses encerrado em maio. A declaração ocorre em um contexto de aumento de preços, impulsionado pelas tensões decorrentes da guerra com o Irã. Trump reiterou sua confiança de que os valores retornarão aos patamares anteriores com o fim do conflito. Dados governamentais americanos divulgados no mesmo dia indicam que a inflação de maio apresentou a maior elevação em três anos. Questionado por repórteres na Casa Branca se essa conjuntura econômica poderia afetar o Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, o presidente respondeu enfaticamente: “Eu adoro a inflação”. Em sua justificativa, Trump detalhou a aprovação de um plano estratégico para a passagem secreta de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. Essa medida foi adotada devido a preocupações com o aumento dos custos e a consequente escalada da inflação. "Para mim, valeu a pena", afirmou o presidente, considerando a operação um sucesso. Ele projetou que, com o término da guerra no Oriente Médio, o preço do petróleo registrará uma queda acentuada. "Quando tudo acabar, vocês verão o petróleo cair para o nível em que estava antes. Vai cair como uma pedra", declarou. O fechamento da importante rota marítima pelo Irã teve um impacto direto no aumento dos custos de gasolina, fertilizantes e outros produtos essenciais, contribuindo para o cenário inflacionário. Esses preços mais elevados também podem representar um obstáculo para o Federal Reserve em sua política de redução das taxas de juros, medida que visa diminuir os custos de empréstimos e que Trump tem defendido desde seu retorno ao poder. Enquanto os Republicanos buscam manter o controle da Câmara dos Deputados e do Senado dos EUA, temem que a insatisfação dos consumidores com o custo de vida, uma das principais preocupações do eleitorado, possa favorecer os Democratas. A promessa de Trump de reduzir a inflação foi um pilar de sua campanha presidencial de 2024, mas sua popularidade, especialmente na gestão econômica, atingiu níveis historicamente baixos. Mesmo que um acordo entre EUA e Irã seja firmado em breve, a expectativa é de que a normalização do fluxo de suprimentos leve meses, com interrupções prolongadas até 2026. Embora os americanos possam estar mais resilientes a choques nos preços de combustíveis em comparação com outras nações, o encarecimento da energia pode, a longo prazo, impactar os gastos dos consumidores. No mês anterior, Trump já havia minimizado as dificuldades financeiras enfrentadas pelos americanos como um fator secundário em sua estratégia de negociação para um acordo, inclusive com ameaças de novas ações militares contra o Irã.

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