TENSÃO NO ESTREITO

Donald Trump ameaça: Irã será “varrido da Terra” se atacar navios dos EUA

Navios militares no Estreito de Ormuz em meio a tensões entre Irã e EUA.
Irã diz que impediu navios dos EUA de entrar em Ormuz; Exército americano nega ter sido alvo de ataque.

Ameaça de Trump surge em meio a escalada militar e bloqueio do Estreito de Ormuz, rota vital para 20% do petróleo global desde 28 de fevereiro de 2026.

A tensão no Oriente Médio atingiu um novo pico nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, proferiu uma severa advertência ao Irã. Ele declarou que o país "será varrido da face da Terra" se atacar os navios americanos que escoltam outras embarcações pelo estratégico Estreito de Ormuz. A ameaça, divulgada em entrevista à TV Fox News e reforçada em sua rede social Truth Social, surge em meio a alegações de ataques iranianos a cargueiros e a uma nova operação americana, chamada "Projeto Liberdade", visando desobstruir a rota marítima. Este acirramento da retórica não apenas eleva o risco de uma confrontação militar direta, mas também acende o alerta global para a interrupção do comércio vital de petróleo, impactando diretamente a economia mundial e a segurança das nações.

Trump detalhou suas acusações, afirmando que o Irã atacou embarcações de países "não relacionados" à operação militar liderada pelos EUA no Estreito de Ormuz, incluindo um cargueiro sul-coreano. "Talvez seja hora de a Coreia do Sul vir e se juntar à missão", escreveu o presidente, enquanto assegurava que outras embarcações não sofreram danos. Além disso, Trump alegou que forças americanas derrubaram sete pequenas embarcações iranianas, descritas como "barcos rápidos" — uma informação veementemente negada pela TV estatal iraniana.

A escolta americana é a primeira ação significativa desde que Trump anunciou uma operação militar para garantir a passagem de embarcações pelo estreito, que o Irã insiste em bloquear. Paralelamente, nesta segunda-feira, o regime iraniano divulgou um novo mapa do Estreito de Ormuz, delimitando o que chamou de "nova área sob gestão e controle das Forças Armadas do Irã". Essa demarcação inclui pontos estratégicos, como a região entre a ilha iraniana de Qeshm e a costa dos Emirados Árabes Unidos (a noroeste de Dubai), e a área entre a costa norte de Omã e a costa iraniana, ao sul de Ormuz.

Apesar do anúncio de Trump sobre o início da operação na manhã desta segunda-feira, ainda não havia ocorrido qualquer movimentação militar até a última atualização desta reportagem. Em resposta, o Exército iraniano reagiu com ameaças, reiterando que atacará qualquer navio militar dos EUA que se aproximar do Estreito de Ormuz. Segundo comunicado da mídia estatal iraniana, a passagem de navios pela via marítima precisará ser coordenada com Teerã.

"Advertimos que qualquer força armada estrangeira — especialmente o agressivo Exército dos EUA — se pretender se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz será alvo e será atacada", declarou o comandante Abdolrahim Mousavi Abdollahi, do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya. A Guarda Revolucionária iraniana, através do general Mohseni, porta-voz da força militar, reforçou: "Movimentações marítimas que contrariem os princípios anunciados pela Marinha da Guarda Revolucionária enfrentarão sérios riscos e serão detidas com firmeza."

O Estreito de Ormuz, crucial para a economia global por canalizar 20% do fluxo mundial de petróleo, permanece fechado pelo Irã desde 28 de fevereiro de 2026, data de início da guerra contra os EUA e Israel. Desde então, uma quantidade mínima de navios comerciais conseguiu atravessar a região. Apesar do conflito ter um cessar-fogo desde o início de abril de 2026, a via marítima não foi reaberta, contrariando a vontade dos EUA. Para pressionar Teerã, os EUA impuseram seu próprio bloqueio ao Estreito de Ormuz a partir de 13 de abril de 2026, já redirecionando 48 navios ligados ao regime iraniano, conforme dados do Exército norte-americano.

A nova iniciativa dos EUA, o "Projeto Liberdade", visa "libertar pessoas, empresas e países" que seriam "vítimas das circunstâncias" do bloqueio. Trump enfatizou: "Se, de alguma forma, esse processo humanitário for interferido, essa interferência, infelizmente, terá que ser combatida com firmeza." Em outro desdobramento, o Irã anunciou que recebeu uma resposta dos EUA à sua mais recente proposta para encerrar a guerra, uma iniciativa de 14 pontos enviada por meio do mediador Paquistão, e que está sendo analisada por Teerã.

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