MERCADO EM ALERTA
Dólar sobe e Ibovespa cai sob tensão geopolítica
Expectativa por encontro Trump-Xi e crise no Oriente Médio movem economia nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026.
O mercado financeiro brasileiro reagiu com cautela nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, atento a uma série de eventos globais e nacionais que impactam diretamente a economia. Enquanto o dólar registrou alta, aproximando-se de R$ 4,92, impulsionado pela expectativa do crucial encontro entre os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Xi Jinping, da China, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, operava em leve queda. Este cenário reflete a apreensão dos investidores diante das incertezas geopolíticas no Oriente Médio e das novas diretrizes econômicas internas, afetando desde o preço dos combustíveis até as compras do dia a dia dos cidadãos.
No front internacional, a iminente reunião entre os líderes dos Estados Unidos e da China é o ponto focal. Investidores buscam sinais sobre os rumos da relação entre as duas maiores potências econômicas do mundo, o que pode influenciar desde cadeias de suprimentos globais até o custo de produtos importados. Paralelamente, a delicada situação no Oriente Médio, com as negociações entre os Estados Unidos e o Irã por um acordo de paz, mantém o mercado em alerta. A reabertura do Estreito de Ormuz, vital para o transporte global de petróleo, está em jogo, e a escalada de tensões já se reflete no aumento dos preços da energia, que pesa no bolso dos consumidores.
Em solo brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que zera a cobrança de tributos federais sobre compras internacionais de até US$ 50, realizadas em plataformas de comércio eletrônico. Essa decisão revoga a “taxa das blusinhas”, criada em 2024 com alíquota de 20%, e busca aliviar o custo para consumidores que adquirem produtos importados, embora tenha gerado debates sobre o impacto na indústria nacional, especialmente frente à concorrência chinesa.
O panorama político também agitou o dia, com a divulgação de uma nova pesquisa da Quaest. Os resultados apontam um empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro em um hipotético segundo turno das eleições presidenciais de outubro, com 42% e 41% das intenções de voto, respectivamente. A variação em relação às sondagens anteriores adiciona mais um elemento de volatilidade ao ambiente doméstico.
Desempenho dos Mercados no Dia:
- Dólar: Operava em alta de 0,42% perto das 10h, cotado a R$ 4,9162. Acumula alta de +0,03% na semana, queda de -1,14% no mês e -10,81% no ano.
- Ibovespa: Registrava leve queda de 0,12% no mesmo horário, atingindo 180.126 pontos. Acumula queda de -2,05% na semana e -3,72% no mês, mas mantém alta de +11,93% no ano.
Inflação: Um Desafio Global e Local
A guerra no Oriente Médio continua a impactar a inflação global. Nos Estados Unidos, os preços ao consumidor subiram em ritmo acelerado em abril, pelo segundo mês consecutivo, impulsionados principalmente pelos custos de alimentos e energia. Segundo dados do Departamento do Trabalho americano, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) avançou 0,6% em abril, seguindo um aumento de 0,9% em março. Em 12 meses até abril, o IPC subiu 3,8%, marcando o maior aumento anual desde maio de 2023. A disparada dos preços do petróleo, que ultrapassou US$ 100 por barril em março após ataques dos EUA e Israel contra o Irã, elevou imediatamente os custos de gasolina, diesel e querosene de aviação, impactando a rotina de milhões.
Ainda nos EUA, os preços de alimentos subiram 0,5% em abril, com destaque para a carne bovina, que registrou alta de 2,7% nos supermercados. Este cenário reforça a expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, manterá as taxas de juros elevadas por mais tempo, atualmente na faixa de 3,50% a 3,75%, para conter a pressão inflacionária.
No Brasil, a inflação oficial desacelerou em abril, mas os alimentos ainda representam um peso significativo no orçamento familiar. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,67% no mês, abaixo dos 0,88% de março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contudo, a inflação acumulada em 12 meses subiu de 4,14% para 4,39%. Os grupos de alimentação e bebidas (alta de 1,34%) e saúde e cuidados pessoais (alta de 1,16%) foram os maiores responsáveis, respondendo por cerca de 67% da inflação de abril, evidenciando o desafio contínuo para o poder de compra da população.
Petrobras Reporta Lucro Sólido e Dividendos
A Petrobras anunciou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Embora represente uma queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, o resultado mais que dobrou na comparação com o último trimestre de 2025. O desempenho foi impulsionado pela valorização do petróleo no mercado internacional, em grande parte devido às tensões no Oriente Médio, além do aumento na produção de petróleo e nas vendas de combustíveis. A estatal também aprovou o pagamento de R$ 9 bilhões em dividendos aos acionistas, o equivalente a R$ 0,70 por ação, um alívio para muitos investidores.
Crise no Oriente Médio Ameaça Cessar-Fogo
A esperança de um cessar-fogo entre o Irã e os EUA diminuiu consideravelmente após a declaração de Donald Trump de que a trégua está “respirando por aparelhos”. O Irã rejeitou a proposta americana, exigindo o fim completo da guerra, compensações pelos danos e o levantamento do bloqueio naval dos EUA. Esta tensão iminente elevou o preço do barril do Brent para mais de US$ 107, refletindo o temor de interrupções no Estreito de Ormuz. Em resposta, os EUA anunciaram novas sanções contra empresas e indivíduos acusados de auxiliar o Irã na venda de petróleo para a China. A crise no Oriente Médio deve ser um dos principais tópicos de discussão entre Trump e Xi Jinping em seu encontro.
Mercados Globais Reagem à Inflação e Geopolítica
As bolsas de Wall Street encerraram o dia sem uma direção única, após os dados de inflação nos EUA superarem as expectativas. Enquanto o Dow Jones registrou alta de 0,11%, o S&P 500 caiu 0,16% e o Nasdaq recuou 0,71%. Na Europa, a maioria das bolsas fechou em queda, com o índice alemão DAX recuando 1,54% e o francês CAC 40 caindo 0,45%. A bolsa de Londres, FTSE 100, fechou perto da estabilidade, com leve alta de 0,04%. As bolsas asiáticas apresentaram resultados mistos, com investidores aguardando o encontro Trump-Xi. Xangai caiu 0,25% e Hong Kong perdeu 0,22%, após altas recentes, enquanto o Japão avançou 0,52%. A maior queda foi na Coreia do Sul, com o índice Kospi recuando 2,29%.
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