ECONOMIA RESPIRA

Dólar cai a R$ 4,99 com trégua no Oriente Médio

Dólar cai a R$ 4,99 com trégua no Oriente Médio

Presidente Donald Trump adia ataque ao Irã, aliviando pressão global. Ibovespa demonstra recuperação.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o adiamento de um ataque militar ao Irã para permitir o avanço de negociações diplomáticas com Teerã, um movimento que amenizou as tensões globais e impulsionou a recuperação dos mercados nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026. Essa decisão foi crucial para que o dólar comercial encerrasse o dia cotado abaixo da marca de R$ 5, refletindo a diminuição da aversão ao risco e um alívio para a economia global e, consequentemente, para o poder de compra do brasileiro.

Nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, o dólar comercial encerrou o pregão vendido a R$ 4,998, registrando um recuo expressivo de 1,34%. A cotação, que abriu a R$ 5,04, firmou-se abaixo da casa dos R$ 5 perto do fim da sessão, reagindo diretamente às declarações de Trump sobre a suspensão da ofensiva.

Apesar da queda do dia, a divisa acumula uma alta de 0,92% no mês de maio. No acumulado de 2026, no entanto, o dólar apresenta uma desvalorização de 8,93% frente ao real.

Em contrapartida, o mercado de ações enfrentou um dia de maior instabilidade. O índice Ibovespa, da B3, fechou esta segunda-feira, 18 de maio de 2026, aos 176.975,82 pontos, com um leve recuo de 0,17%. Ao longo do dia, por volta das 15h30, o indicador chegou a registrar uma queda mais acentuada de 0,83%, mas conseguiu se recuperar parcialmente após a diminuição das tensões no Oriente Médio.

Após atingir um recorde histórico em abril, o Ibovespa registra uma queda de 5,52% em maio. Apesar disso, o índice ainda acumula um ganho de 9,84% no ano de 2026. Dados da B3 revelam uma retirada líquida de R$ 3,9 bilhões por investidores estrangeiros da bolsa brasileira, considerando o período até a metade do mês de maio.

Ofensiva adiada alivia mercados

Essa sinalização do líder norte-americano dissipou a aversão ao risco nos mercados globais, impulsionando a recuperação de moedas emergentes ao longo da tarde. O republicano confirmou a suspensão de uma ofensiva militar planejada contra o Irã, com o objetivo de abrir caminho para negociações diplomáticas com Teerã.

Esse alívio diminuiu a pressão sobre os ativos de risco, após dias de apreensão com uma possível escalada do conflito no Oriente Médio e seus temidos impactos sobre o preço dos combustíveis e, por extensão, o custo de vida das famílias.

Consequentemente, o dólar perdeu força em relação a diversas moedas de países emergentes, incluindo o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano.

Fatores domésticos também influenciam

Além do cenário externo mais favorável, os investidores realizaram ajustes técnicos, reagindo à recente valorização da moeda americana no mercado doméstico.

A expectativa de manutenção de juros elevados por um período mais prolongado no Brasil também contribuiu para a sustentação do real. Essa percepção foi reforçada após o boletim Focus – pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central com as projeções de instituições financeiras – elevar a projeção para a taxa Selic no fim de 2026 para 13,25% ao ano.

No entanto, dados mais fracos da atividade econômica brasileira acabaram em segundo plano diante da euforia externa. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), registrou uma queda de 0,7% em março na comparação mensal, um resultado abaixo das expectativas do mercado.

Petróleo em alta

Pelo segundo dia consecutivo, o preço do petróleo registrou valorização no exterior. O barril do tipo Brent, referência nas negociações internacionais, encerrou o dia cotado a US$ 112,10, com um ganho de 2,6%. Contudo, sua escalada perdeu força após a decisão de Trump de adiar a ofensiva militar no Irã.

Já o barril WTI, extraído no Texas e referência nas negociações nos Estados Unidos, fechou o dia em US$ 104,38, apresentando um avanço de 3,33%.

*Com informações da Reuters

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