ESPIONAGEM PARA CHINA
Dois homens são condenados por espionarem para a China no Reino Unido
Condenados a até 10 anos de prisão, indivíduos monitoraram dissidentes pró-democracia baseados no Reino Unido. Juíza alerta para interferência estrangeira.
Dois homens, incluindo um ex-oficial de imigração britânico, foram condenados por espionarem dissidentes pró-democracia proeminentes no Reino Unido em nome de Hong Kong e, por extensão, da China. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, e representa um marco, pois acredita-se ser a primeira vez que indivíduos são sentenciados por espionagem para a China no território britânico. A motivação por trás da ação foi o auxílio a um serviço de inteligência estrangeiro, o que levanta sérias preocupações sobre a segurança e a dignidade dos alvos.
Chung Biu "Bill" Yuen, de 66 anos, e Chi Leung "Peter" Wai, de 41 anos, ambos com cidadania chinesa e britânica e que atuavam na Força de Fronteira do Reino Unido, foram sentenciados após serem considerados culpados de auxiliarem um serviço de inteligência estrangeiro. O período de vigilância sobre os alvos ocorreu entre dezembro de 2023 e maio de 2024. Wai também se utilizou de sua posição na Força de Fronteira para acessar indevidamente o banco de dados do Ministério do Interior, buscando informações sobre os alvos.
Durante o julgamento, os homens negaram as acusações. A embaixada chinesa em Londres, em contrapartida, classificou o caso como "nada mais do que uma jogada política de abuso da lei", buscando descreditar a decisão judicial e o sistema legal britânico.
A juíza Bobbie Cheema-Grubb, do tribunal Old Bailey em Londres, destacou a persistente e adaptativa interferência de atores estatais estrangeiros no Reino Unido. "A atividade moderna de inteligência estrangeira não se limita à espionagem ortodoxa contra segredos militares ou governamentais. Pode assumir a forma de vigilância, coleta de informações, intimidação e tomada como alvo de dissidentes e daqueles que buscaram a proteção das leis deste país", alertou a magistrada, sublinhando a gravidade do caso e o impacto na proteção dos direitos individuais.
As consequências para os condenados foram severas: Yuen recebeu uma pena de oito anos de prisão, enquanto Wai foi sentenciado a 10 anos. A comandante Helen Flanagan, chefe da polícia antiterrorismo em Londres, descreveu a conduta dos homens como "realmente assustadora", enfatizando que a espionagem visava indivíduos no Reino Unido que defendiam a democracia e protestavam pacificamente contra o governo de Hong Kong e as autoridades chinesas. A ação dos condenados representou uma violação direta da segurança e do direito de expressão dos dissidentes.
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