ENDIVIDAMENTO PÚBLICO EM ALERTA

Dívida bruta sobe para 80,4% do PIB em abril, informa Banco Central

Fachada do Banco Central do Brasil.
Fachada do Banco Central do Brasil.

Indicador atingiu 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em abril, segundo dados do Banco Central. Contas públicas, porém, registraram superávit primário.

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em abril, registrando uma nova alta em relação aos 80% observados em março. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 01/06/2026, pelo Banco Central. Em termos nominais, o endividamento totalizou R$ 10,443 trilhões, um aumento em relação aos R$ 10,356 trilhões do mês anterior. Este indicador, que consolida os débitos do governo federal, estados e municípios, é uma métrica crucial para a avaliação da saúde fiscal do país por investidores e agências de risco internacionais.

Fachada do Banco Central do Brasil
Fachada do Banco Central do Brasil. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Apesar da escalada recente, o endividamento bruto permanece abaixo do pico histórico de 87,6% do PIB, registrado em dezembro de 2020, durante os esforços emergenciais para combater a pandemia de Covid-19. Em contraste, o menor patamar da série histórica foi de 51,5% do PIB, em dezembro de 2013.

Adotando critérios de cálculo distintos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) indicou que a dívida bruta brasileira avançou de 92% para 93,1% do PIB entre março e abril. Paralelamente, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que considera os ativos financeiros do governo como reservas internacionais, subiu de 66,8% para 67,4% do PIB, totalizando R$ 8,752 trilhões em valores absolutos.

Em um cenário de aumento do endividamento, as contas públicas brasileiras apresentaram um resultado positivo. O setor público consolidado — incluindo governo federal, estados, municípios e empresas estatais, com exclusão de Petrobras e Eletrobras — registrou um superávit primário de R$ 24,624 bilhões em abril. Este resultado representa uma recuperação significativa em relação ao déficit de R$ 80,676 bilhões de março e supera o superávit de R$ 14,150 bilhões de abril de 2025.

O desempenho primário em abril foi o maior para o mês desde 2022, quando o saldo positivo alcançou R$ 38,876 bilhões, de acordo com o Banco Central. A maior contribuição para o resultado veio do governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e INSS), com um superávit de R$ 26,075 bilhões. Estados e municípios, em conjunto, somaram um saldo positivo de R$ 329 milhões, enquanto as empresas estatais registraram um déficit de R$ 1,781 bilhão.

A análise detalhada revela que os estados tiveram um déficit de R$ 1,091 bilhão, enquanto os municípios apresentaram um superávit de R$ 1,420 bilhão, elementos que se somaram para compor o superávit primário consolidado do setor público em abril.

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