ABORTO MAIS SEGURO

DIUs ganham espaço, mas debate sobre dor e acolhimento cresce

Imagem de um DIU.
O Dispositivo Intrauterino (DIU) é um método contraceptivo seguro e eficaz.

Com eficácia superior a 99%, o Dispositivo Intrauterino (DIU) é um dos métodos contraceptivos mais seguros. No entanto, o debate sobre o manejo da dor durante a inserção e o acolhimento das pacientes ganha força, impulsionado por relatos em redes sociais e busca por informação de qualidade.

O Dispositivo Intrauterino (DIU) consolida sua posição como um dos métodos contraceptivos mais seguros e eficazes disponíveis atualmente, com uma taxa de proteção superior a 99%. Essa tendência de crescente adoção entre mulheres que buscam planejamento reprodutivo de longa duração, no entanto, tem sido acompanhada por um debate acalorado sobre a experiência da inserção do dispositivo, especialmente no que tange à dor, ao acolhimento durante o procedimento e às estratégias para tornar o processo mais confortável. A discussão tem se espalhado por redes sociais, consultórios e reportagens sobre saúde feminina, levantando questionamentos sobre diferentes vivências de pacientes, o uso de anestesia e o manejo da dor.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que mais de 150 milhões de mulheres em todo o mundo utilizam DIUs. O método é amplamente reconhecido por sua alta eficácia na prevenção da gravidez, efeito prolongado e reversibilidade, permitindo o retorno da fertilidade após a remoção.

A Dra. Larissa Cassiano, ginecologista e obstetra parceira da DKT South America, enfatiza a importância da informação de qualidade para que as pacientes compreendam todas as etapas relacionadas ao método. "A escolha de um método contraceptivo deve ser feita com base em informação de qualidade. Isso inclui entender os benefícios do DIU, mas também saber como funciona a inserção, quais sensações podem ocorrer durante o procedimento e quais recursos podem ser utilizados para proporcionar mais conforto à paciente", explica.

A percepção da dor durante a inserção do DIU varia significativamente entre as pacientes. Enquanto algumas sentem cólicas leves ou desconforto momentâneo, outras relatam dor moderada a intensa. Essa diferença pode ser influenciada por fatores anatômicos, sensibilidade individual, ansiedade, histórico ginecológico e experiências prévias. "É importante reconhecer que a dor existe e que ela não deve ser minimizada. Cada mulher vivencia o procedimento de forma diferente. O mais importante é que essa experiência seja acolhida, discutida previamente e acompanhada por um profissional capacitado", pondera Dra. Larissa.

Para tornar a inserção mais confortável, diversos recursos podem ser empregados, com a escolha da melhor estratégia baseada na avaliação clínica individual. Entre as alternativas estão o uso de analgésicos, anestesia local, bloqueios anestésicos, sedação e, em casos específicos, acompanhamento anestésico. "Muitas pacientes chegam ao consultório sem saber que existem alternativas para o manejo da dor. Por isso, a conversa prévia é fundamental. O plano de cuidado deve ser individualizado e construído em conjunto entre a paciente e o profissional de saúde", destaca a especialista.

Desmistificando crenças populares, a OMS e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) refutam a ideia de que o DIU causa infertilidade ou que é contraindicado para mulheres que nunca engravidaram. "Hoje sabemos que o DIU é uma opção segura para diferentes perfis de pacientes. A indicação deve ser individualizada e baseada em avaliação médica, não em mitos que foram perpetuados ao longo dos anos", afirma Larissa.

O Ministério da Saúde reforça a alta eficácia do DIU, superior a 99%, e sua praticidade, por não depender de uso diário. A preocupação com o deslocamento do dispositivo durante atividades físicas ou sexo é infundada para a maioria dos casos, embora situações raras de expulsão parcial, especialmente nos primeiros meses, necessitem de acompanhamento profissional.

Larissa Cassiano conclui que o aumento das discussões sobre a experiência de inserção do DIU pode promover um atendimento mais humanizado e decisões mais conscientes. "Falar sobre dor não deve afastar as mulheres do método. Pelo contrário. Quanto mais transparente for a conversa sobre o procedimento, maiores são as chances de que cada paciente faça uma escolha consciente, conheça as possibilidades de manejo disponíveis e se sinta acolhida durante todo o processo. Informação, autonomia e cuidado devem caminhar juntos." Assim, com respaldo científico e informação de qualidade, o DIU se mantém como uma opção segura e eficaz para milhões de mulheres que buscam autonomia reprodutiva.

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