REGULAÇÃO NO CINEMA

Distribuidora busca autorização na Ancine para exibir o filme sobre Jair Bolsonaro

Pôster ou imagem promocional do filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro
Filme sobre Bolsonaro busca estreia nos cinemas do país | notícias do rio grande do norte Filme Bolsonaro

Europa Filmes protocola pedido de registro para Dark Horse, obra roteirizada por Mario Frias. Produção enfrenta entraves burocráticos e denúncias.

A produtora Europa Filmes protocolou junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine) o pedido de registro de obra estrangeira para o longa-metragem Dark Horse, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. O trâmite, formalizado em 10 de julho de 2026, é o passo inicial obrigatório para que produções internacionais obtenham autorização de exibição comercial no País.

A decisão de buscar o registro é uma etapa técnica fundamental, mas não garante a estreia imediata. Para que o filme chegue às salas, a produção precisa obter o Certificado de Registro de Título (CRT) e passar pela análise de classificação indicativa do Ministério da Justiça. A Ancine confirmou o recebimento do pedido, mas ressaltou que a análise pode ser prolongada devido a uma investigação em curso sobre irregularidades na produção, incluindo a ausência de comunicação prévia obrigatória para rodagens estrangeiras realizadas em território brasileiro.

O projeto, dirigido por Cyrus Nowrasteh e estrelado por Jim Caviezel, enfrenta um histórico de controvérsias. O roteiro é assinado pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), e a produção é conduzida pela Go Up Entertainment. Desde o início das gravações, o filme tem sido alvo de denúncias graves, que incluem relatos de agressões, assédio moral contra figurantes e atrasos em pagamentos, o que impacta a imagem dos envolvidos e a viabilidade da obra no mercado.

O financiamento do longa também está sob escrutínio. Reportagens do Intercept Brasil revelaram conversas atribuídas ao político Flávio Bolsonaro e ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, sugerindo um aporte de R$ 61 milhões no projeto, de um custo total estimado em R$ 134 milhões. O clima de incerteza foi agravado pela recusa da Paris Filmes em distribuir o longa, mesmo diante da relevância da empresa no mercado, conhecida por sucessos como Jogos Vorazes.

Mesmo com a regularização junto aos órgãos federais, o acesso ao público dependerá da adesão das redes exibidoras. Especialistas apontam que produções de forte viés político, como observado no documentário A Colisão dos Destinos em maio, encontram barreiras no circuito comercial, ficando muitas vezes restritas a exibições fora do eixo principal de grandes redes de cinema, como Rio de Janeiro e São Paulo. A Go Up Entertainment e a Europa Filmes agora aguardam a conclusão da análise técnica da Ancine para definir o futuro da obra.

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