BANCOS SÃO LIQUIDADOS

Diretor do BC afirma ter liquidado 13 bancos, mas lamenta processo

Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, em evento.
Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, em evento.

Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, disse que, embora não goste do processo, 13 instituições financeiras foram fechadas no último ano por falta de alternativas. Ele participou do Congresso Abipag nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026.

Apesar de não gostar do processo, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, revelou nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, que foi responsável pela liquidação de 13 instituições financeiras no último ano. A declaração ocorreu durante o Congresso Abipag, onde Aquino detalhou as razões e os impactos dessas decisões.

"Não é fácil a manutenção. Não são fáceis as críticas acerca da estabilidade. Eu sempre digo que não gosto de liquidar uma instituição financeira, mas no último ano eu acho que liquidei 13 instituições", afirmou o diretor, ressaltando a complexidade e o peso de tais medidas.

Aquino explicou que as liquidações de bancos, mesmo de menor porte, geram comoção nacional e levantam questionamentos sobre a atuação da supervisão. Ele citou o caso do conglomerado Master, uma instituição S3 que representava 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional. A utilização da expressão "terceira divisão", também empregada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para se referir ao Master, ilustra a percepção de que a queda de qualquer instituição, por menor que seja, impacta a confiança pública.

"Toda liquidação passa [impressão de] um papel de incompetência do supervisor. Mesmo que, em um Sistema Financeiro de R$ 18 trilhões, seja uma instituição que corresponde a 0,5%, da terceira divisão, cria uma comoção nacional. A sociedade sempre vai questionar porquê isso aconteceu, porquê não atuou, porquê não conseguiu debelar esse problema", disse Aquino.

A liquidação do Banco Master, apesar de seu porte reduzido, acarretará uma saída de aproximadamente R$ 40,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para ressarcimento de credores. Considerando outras instituições financeiras associadas, o montante total pode ultrapassar os R$ 50 bilhões, evidenciando o impacto financeiro significativo dessas intervenções.

O diretor esclareceu, no entanto, que o papel do Banco Central é acompanhar o processo e mitigar os efeitos para a sociedade, uma vez que a quebra da instituição é primariamente atribuída aos seus gestores. "O problema é que é o banqueiro que quebra a instituição. Eu simplesmente acompanho o processo, as medidas e também a gente tenta diminuir os impactos para a sociedade", concluiu.

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