ÉTICA SOB ATAQUE
Direita critica Flávio Bolsonaro por negociação com Vorcaro
Vazamento de áudio em 13 de maio de 2026 revela senador pedindo dinheiro para filme. Políticos da oposição questionam credibilidade e integridade.
Críticas contundentes da direita não alinhada ao Partido Liberal surgiram nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, após o vazamento de um áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No conteúdo, ele supostamente solicita dinheiro a Daniel Vorcaro, banqueiro envolvido no escândalo do Banco Master, para financiar o filme biográfico "Dark Horse", que retrata a campanha de Jair Bolsonaro em 2018. A revelação provocou uma onda de indignação, com políticos de oposição rotulando a negociação como "imperdoável" e questionando a credibilidade necessária para liderar o país, expondo a fragilidade da confiança pública.

A repercussão do áudio gerou um racha na direita, com nomes como Romeu Zema (Novo-MG), pré-candidato à Presidência, e integrantes do Partido Missão manifestando-se nas redes sociais. A base aliada de Flávio, incluindo o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), manteve um silêncio notável, evitando comentar o ocorrido publicamente.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, pronunciou-se em vídeo no Instagram, defendendo-se e pedindo a abertura de uma CPI do Banco Master. Ele afirmou que buscava patrocínio privado para uma produção cinematográfica particular, com o objetivo de "separar os inocentes dos bandidos", sugerindo que suas ações foram legítimas.
A reportagem do site Intercept Brasil detalhou que a solicitação de recursos visava custear o filme "Dark Horse", que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018.
Romeu Zema, em um vídeo publicado, classificou a suposta cobrança de dinheiro de Vorcaro como "imperdoável". Ele enfatizou que "não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil", alfinetando a incoerência entre o discurso e a prática. Zema já foi apontado como um possível companheiro de chapa eleitoral de Flávio na corrida presidencial.
Em publicações no X (antigo Twitter), Renan Santos (Missão), também pré-candidato à Presidência, não poupou críticas, chamando Flávio de "ladrão". "Sete anos depois da rachadinha, havia gente acreditando que o Flávio é honesto. Hoje, apenas os absolutamente idiotas. A casa caiu", declarou, evidenciando o impacto na percepção pública e na confiança dos eleitores.


O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), em um vídeo divulgado no X (antigo Twitter), sugeriu que Flávio Bolsonaro não pediu a prisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, por estar "também envolvido". Kataguiri relembrou que, mesmo após a eclosão do escândalo do Banco Master, Flávio declarou estar e sempre estaria com Daniel Vorcaro. O congressista encerrou seu pronunciamento com um alerta contundente: "A direita brasileira não pode ser refém de bandido".
A situação expõe as tensões internas na direita e levanta sérias questões sobre a integridade e a transparência na busca por financiamento político, reforçando a importância da conduta ética para aqueles que almejam cargos de liderança no país. O episódio, que ainda deve gerar desdobramentos, coloca Flávio Bolsonaro no centro de um novo debate sobre sua atuação pública e a coerência de seus valores.
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