DOR INVISÍVEL

Diagnóstico da Fibromialgia: Por que a luta ainda é tão difícil?

Mulher com expressão de dor, tocando diferentes pontos do corpo, simbolizando os sintomas difusos da Fibromialgia.
Ilustração de uma pessoa sentindo dor em várias partes do corpo, representando a Fibromialgia.

A Sociedade Brasileira de Reumatologia estima que 3% da população seja afetada, maioria mulheres. A Lei 15.176/2025 busca garantir direitos.

A Fibromialgia, condição que afeta cerca de 3% da população brasileira, em sua maioria mulheres, exige um olhar atento da sociedade e das autoridades. Para dar visibilidade à luta de milhões de pessoas que enfrentam dores crônicas e desafios no diagnóstico, celebra-se nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia. A data, somada à sanção da Lei 15.176/2025 que reconhece a doença como deficiência, reforça a urgência de políticas públicas eficazes e de um tratamento humano e multidisciplinar, impactando diretamente a dignidade e a qualidade de vida dos pacientes.

Classificada como uma doença reumática pela Sociedade Brasileira de Reumatologia, a Fibromialgia atinge cerca de 3% da população do Brasil, majoritariamente mulheres. Os sintomas, muitas vezes difusos, tornam o caminho até um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz um grande desafio para pacientes e profissionais de saúde.

Segundo o médico Thiago Ferreira, que atua como coordenador de Reumatologia da Afya Educação Médica e professor na unidade Ribeirão Preto, a doença impacta diretamente a rotina de quem convive com ela.

"A Fibromialgia se caracteriza principalmente por dor crônica e difusa pelo corpo, geralmente associada a cansaço intenso, sono não reparador, sensação de rigidez, formigamentos, dor de cabeça e dificuldade de memória ou concentração. É comum o paciente relatar: 'eu durmo, mas acordo cansado'. Embora a doença não cause deformidades ou destruição das articulações, ela pode comprometer significativamente a qualidade de vida", declarou Ferreira à CNN Brasil.

Ferreira explicou que a demora para se chegar a um diagnóstico, na maioria dos casos, acontece porque a condição não se manifesta em exames cotidianos, o que prolonga a jornada dos pacientes em busca de respostas.

"A Fibromialgia não aparece em exames de sangue ou de imagem. O diagnóstico é clínico, fundamentado na história detalhada do paciente, no padrão da dor e na exclusão de outras doenças que podem apresentar sintomas semelhantes, como hipotireoidismo, doenças inflamatórias, anemia, distúrbios do sono e depressão. Além disso, por muito tempo, a dor da Fibromialgia foi subestimada, o que atrasou seu reconhecimento adequado", informou o médico.

Tratamento: Abordagem Multidisciplinar e o Caminho para o Alívio

Diferente de muitas doenças tratáveis exclusivamente com medicamentos, a Fibromialgia exige uma abordagem diversificada para proporcionar alívio aos pacientes. "O tratamento mais importante é o não medicamentoso: atividade física regular, especialmente exercícios aeróbicos e de fortalecimento, educação sobre a doença, melhora do sono e manejo do estresse", destacou Thiago Ferreira.

Ferreira acrescentou: "Embora medicamentos possam ser utilizados em alguns casos para modular a dor, melhorar o sono ou tratar ansiedade e depressão associadas, eles não devem ser encarados como uma solução isolada. O melhor resultado geralmente provém de um plano individualizado e multidisciplinar. A Sociedade Brasileira de Reumatologia, inclusive, ressalta o exercício físico como um pilar central do tratamento".

Legislação: Reconhecimento e Desafios para a Efetivação dos Direitos

A sanção da Lei 15.176/2025, em 2025, marcou um momento crucial ao reconhecer a Fibromialgia como deficiência no Brasil. Para o reumatologista Thiago Ferreira, a medida representa um avanço significativo, mas ainda exige muitos ajustes para se concretizar em conscientização e acesso real a direitos.

"A Lei nº 15.176/2025 trouxe um avanço importante ao reconhecer a Fibromialgia como condição que pode configurar deficiência, com avaliação biopsicossocial e maior garantia de acesso a direitos, atendimento multidisciplinar e políticas públicas. Essa medida contribui para reduzir a invisibilidade da doença. Contudo, ainda há um longo caminho a percorrer: é fundamental transformar a lei em acesso real, com diagnóstico correto, acolhimento, tratamento estruturado e capacitação das equipes de saúde", declarou o profissional.

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