VULNERABILIDADE SOCIAL CRESCENTE

Brasil registra aumento crítico de brasileiros em áreas de risco geológico

Gráfico de barras mostrando o crescimento populacional em áreas de risco geológico no Brasil entre 2023 e 2026.
Gráfico referente ao número de pessoas em áreas de risco geológico – Brasil, 2023, 2025 e 2026 • Créditos: Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, divulgado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades

Dados do Observatório Brasileiro das Desigualdades apontam expansão das áreas de risco no País. Falta de moradia adequada expõe milhões a tragédias climáticas.

Mais de 4,6 milhões de brasileiros enfrentam o risco iminente de desastres geológicos em 2026. O dado foi consolidado pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades e aponta para uma falha estrutural no planejamento urbano nacional, revelando como a falta de moradia digna empurra famílias para zonas de perigo crescente.

O levantamento, produzido pelo DIEESE e divulgado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, indica que o número de pessoas nessa condição atingiu 4.679.655 em 2026. Esse cenário representa uma alta de 7% em comparação ao ano anterior, quando 4.365.530 cidadãos estavam expostos aos mesmos perigos. As informações foram compiladas a partir de dados do Serviço Geológico do Brasil.

Expansão preocupante de novas ocupações

Diferente de períodos anteriores, o aumento observado em 2026 não decorreu apenas do adensamento de moradores em áreas já mapeadas, mas da expansão de novas zonas de risco. Para os autores do relatório, essa tendência sinaliza a fragilidade das políticas públicas focadas em habitação e prevenção de desastres.

A exposição a riscos geológicos, que afeta cerca de 17 mil áreas em todo o território, é considerada um dos seis indicadores que sofreram piora entre os 48 acompanhados pelo estudo. O documento reforça que o problema está diretamente atrelado à vulnerabilidade da população brasileira diante dos efeitos das mudanças climáticas.

Sudeste concentra o maior contingente

O impacto geográfico da vulnerabilidade é desigual entre as regiões. O Sudeste lidera o cenário com 1.456.735 pessoas em áreas de risco, representando 31% do total nacional. Em seguida, o Sul registra 1.225.741 afetados, enquanto o Nordeste conta com 1.027.594 e o Norte com 920.020. O Centro-Oeste apresenta o menor índice, com 49.565 pessoas.

Esta é a quarta edição do relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades. A iniciativa surgiu em agosto de 2023, integrada ao Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, com a finalidade de monitorar e pressionar por avanços na justiça social e ambiental no Brasil.

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