ALERTA CLIMÁTICO NACIONAL

Desastres climáticos atingiram 91,5% das cidades do Brasil desde 1991

Cenário de destruição urbana após chuvas intensas no litoral de São Paulo.
Chuvas no litoral de São Paulo causaram danos profundos e isolaram cidades, exemplificando a vulnerabilidade nacional.

Um levantamento inédito com 59.658 registros aponta que eventos extremos custaram US$ 123 bilhões e deixaram quase 5 mil mortos em três décadas.

Cerca de 91,5% dos 5.570 municípios brasileiros relataram ao menos um desastre natural relacionado a inundações, deslizamentos, tempestades ou secas nas últimas três décadas. A conclusão é de um estudo científico que, nesta segunda-feira, 13/07/2026, traz à tona a urgência de uma mudança estrutural na forma como o país lida com eventos que deixaram um rastro de quase 5.000 mortes e 3.031 desaparecidos desde 1991.

A pesquisa, realizada por especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, da USP e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, foi publicada na edição de abril da Environmental Research Letters. O objetivo central do grupo foi analisar 59.658 registros de desastres entre 1991 e 2024 para oferecer subsídios técnicos a políticas públicas de prevenção e mitigação.

A gravidade do cenário é acentuada pela sobreposição de riscos: 1.814 cidades enfrentaram três dos problemas listados, enquanto 270 municípios foram impactados pelos quatro tipos de eventos no período analisado. Além das perdas humanas, o impacto econômico é avassalador, superando US$ 123,89 bilhões em prejuízos que comprometem a estabilidade financeira de comunidades locais e a infraestrutura nacional.

Para o pesquisador Elton Vicente Escobar Silva, 1º autor do estudo, é fundamental desmistificar a ideia de que esses eventos são puramente sobrenaturais. "Há um agravante antropogênico, não só com as mudanças climáticas, mas também com falhas de gestão pública", afirma. Ele defende que o Brasil trate os episódios como desastres "socionaturais", nos quais a negligência e a falta de estrutura administrativa potencializam os danos.

O desafio da subnotificação também preocupa. O levantamento utilizou dados do S2iD e do Atlas Digital de Desastres, que dependem de declarações das prefeituras. Como a Confederação Nacional de Municípios estima que cerca de 1.660 cidades não possuem Defesa Civil organizada, os especialistas alertam que a realidade pode ser ainda mais crítica do que os números oficiais revelam. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil informou que prepara uma atualização de suas plataformas para permitir uma abordagem multirrisco, visando melhorar o planejamento estratégico do país.

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