MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Calor extremo torna secas na Europa até 11 vezes mais prováveis

Vista aérea de Paris durante onda de calor extremo.
Onda de calor extremo atinge Paris, na França — Foto: Reuters/Abdul Saboor

Estudo científico aponta que o aumento das temperaturas globais intensifica a evaporação e a perda de umidade, agravando a crise hídrica no continente europeu.

A crise climática impulsionada pela atividade humana tornou-se o principal motor da escassez hídrica que afeta diversas nações europeias. O fenômeno, detalhado em um estudo divulgado nesta quinta-feira (23), revela que o calor extremo é o grande responsável pelas condições de seca severa, superando o impacto isolado da falta de chuvas.

O cenário é crítico em países como França e Romênia, que enfrentam restrições rigorosas ao uso de água, além de lidar com rios que secam drasticamente e incêndios florestais devastadores. A pesquisa, conduzida pelo grupo World Weather Attribution (WWA), demonstra que a atmosfera atual, mais quente, possui uma capacidade ampliada de absorver umidade, retirando água dos solos e plantas em uma velocidade alarmante.

Mariam Zachariah, do Imperial College London e coautora do estudo, destaca que a seca não deve ser interpretada apenas como uma história de precipitações reduzidas. Segundo os pesquisadores, a atmosfera agora retém 7% mais vapor de água a cada grau de aumento de temperatura. Como resultado, mesmo áreas com variações normais de chuva sofrem com um solo cada vez mais ressecado.

O impacto humano no sistema climático é direto. Com um aquecimento global de aproximadamente 1,4 ºC desde o período pré-industrial — resultado da queima de combustíveis fósseis —, a probabilidade de solos extremamente secos na Europa Oriental saltou 11 vezes. Na Europa Ocidental, o aumento é de cinco vezes.

A situação é descrita por especialistas como um sinal de alerta urgente. Dominik Schumacher, da ETH Zurich, ressalta um ciclo vicioso: o ar mais quente seca o solo, e o solo ressecado, por sua vez, eleva ainda mais a temperatura local, criando condições ideais para desastres. Esse desequilíbrio afeta diretamente a dignidade da população, comprometendo a segurança alimentar, o custo de vida e os sistemas de energia em todo o continente.

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