BRB EM APUROS

Deputados do DF e presidente do Banco Central debatem situação do BRB

Parlamentares em frente ao Banco Central para discutir a situação do BRB
Parlamentares vão ao Banco Central discutir a situação do BRB

Encontro em Brasília nesta quarta-feira (20) buscou alinhar ações para sanar rombo bilionário. Prazo para balanço de 2025 e busca por empréstimo de R$ 6,6 bilhões também em pauta.

Deputados do Distrito Federal reuniram-se com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, para discutir a delicada situação do Banco de Brasília (BRB). A reunião ocorre em um momento crucial, próximo ao prazo para a apresentação de ações pelo GDF visando a recomposição do patrimônio do banco, que sofreu um rombo bilionário após transações questionáveis com o Banco Master. A definição sobre a entrega do balanço consolidado de 2025, originalmente prevista para março, também foi pauta do encontro.

Apesar de ambas as partes – o GDF, principal acionista, e o próprio BRB – terem reafirmado a solidez da instituição, as investigações apontam para a aquisição de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito sem garantias do Banco Master. Essa discrepância entre o discurso e a realidade gera apreensão entre os parlamentares, que cobram ações concretas do governo distrital para solucionar a crise. "Essa demora do BRB de mostrar também para a população do DF a saída que estão tomando para resolver a situação é o que preocupa a gente. O que o GDF está sinalizando de concreto para resolver a situação", comentou o deputado distrital Max Maciel (PSOL).

Em pronunciamentos após a reunião, parlamentares expressaram críticas à gestão do GDF quanto aos planos de socorro ao banco. Fábio Felix (PSOL) destacou a diferença entre o discurso governamental e a prática: "Uma coisa é o discurso do GDF, dizendo que está buscando o governo federal. Outra coisa é a prática do GDF. Na verdade, eles querem levar a crise ao governo federal, não a solução". A governadora Celina Leão (PP) já havia se reunido com Galípolo em abril, assegurando que o problema do BRB "está sendo resolvido" e teria uma solução técnica, com a presença de Nelson Souza, presidente do BRB, no encontro.

O GDF busca articular a captação de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para mitigar os impactos no patrimônio do banco, fragilizado pelo escândalo envolvendo o Banco Master. Paralelamente, o BRB descumpriu o prazo legal de entrega do balanço consolidado de 2025 ao Banco Central, inicialmente marcado para 31 de março. Em comunicado, o banco informou a postergação da divulgação para permitir a conclusão de auditorias forenses relacionadas à operação "Compliance Zero" e a avaliação de seus potenciais impactos pela administração e pelo auditor independente. Essa omissão levou a agência Moody's a rebaixar a classificação de risco do BRB, alertando para um provável risco de calote e a necessidade de injeção de capital, além de aumentar a incerteza sobre a saúde financeira e a capacidade de negócios da instituição.

O negócio entre BRB e Banco Master, anunciado em março de 2025, previa a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Master pelo BRB. Contudo, em setembro de 2025, o Banco Central negou a compra após uma análise prolongada. As investigações subsequentes revelaram que o BRB adquiriu R$ 12 bilhões em carteiras de crédito sem garantias do Master. Em março deste ano, parlamentares aprovaram lei autorizando o uso de nove imóveis públicos para salvar o BRB, com a posterior exclusão de áreas sensíveis como a Serrinha do Paranoá. Em abril, uma nova fase da Operação Compliance Zero resultou na prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, investigado por negligência em práticas de governança e aprovação de negócios sem lastro com o Banco Master. Costa deixou o cargo no banco em novembro do ano passado.

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