ACUSAÇÃO DE LAVAGEM
Deolane Bezerra, presa por elo com PCC, emociona-se em audiência de custódia
Influenciadora alega ter sido presa no exercício da profissão e se comove ao ouvir sobre sua filha de 9 anos. Defesa pede prisão domiciliar.
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra teve sua prisão preventiva mantida em audiência de custódia realizada nesta sexta-feira, 22/05/2026. A decisão, proferida pela 3ª Vara do Foro de Presidente Venceslau, atende a um pedido da Polícia Civil de São Paulo, que acusa Deolane de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e lavar dinheiro para a alta cúpula da organização criminosa. A influenciadora, que alega ter sido detida no exercício da profissão, demonstrou comoção ao ouvir menções à sua filha de 9 anos, Valentina. O caso ganha relevância por envolver uma figura pública em um esquema de lavagem de dinheiro, impactando diretamente a percepção sobre a atuação de advogados em casos criminais e a responsabilidade individual na esfera jurídica.
Deolane Bezerra foi detida na manhã de quinta-feira (21/05) em sua residência em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, como parte da Operação Vérnix. A operação também teve como alvo Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, considerado o líder máximo do PCC. A influenciadora foi levada ao Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoas (DHPP) e, de lá, participou virtualmente da audiência de custódia.
Segundo a investigação, Deolane Bezerra teria recebido transferências bancárias de uma transportadora utilizada pelo PCC para ocultar valores. As transações, que totalizaram R$ 24 mil, não foram justificadas como honorários advocatícios, mas sim como encerramento de contas mensais da empresa. A polícia suspeita que os valores foram usados para branqueamento de dinheiro.
Durante a audiência, Deolane Bezerra afirmou que sua prisão ocorreu enquanto ela exercia a advocacia. Ela declarou que acompanhava o processo de Diogenes Gomes Barros, preso na Penitenciária de Irapuru e apontado como integrante do PCC, que seria o pai de Valentina. "Excelência, eu fui presa no exercício da profissão. À época dos fatos eu advogava. É um processo bem antigo, de 2019, 2020. Eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento ao cliente", disse.
A defesa de Deolane Bezerra, representada pela advogada Josimary Rocha, solicitou a transferência da influenciadora para a prisão domiciliar, com base no direito de mães de crianças com menos de 12 anos. A defesa argumentou que Deolane tem direito a esse benefício legal. O pedido ainda será analisado pela Justiça.
Apesar da comoção expressa durante a audiência, especialmente ao ouvir sobre a filha, a decisão de manter a prisão preventiva foi mantida. Na manhã desta sexta-feira (22/05), Deolane Bezerra foi transferida da Penitenciária Feminina de Santana, em São Paulo, para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado, onde permanecerá enquanto aguarda os desdobramentos do processo.
O caso também evidencia o papel de familiares de Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, no esquema. Marco, apontado como líder máximo do PCC, controlava a transportadora. Seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, exercia controle direto sobre a empresa. Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro, atuava como mensageira e gestora indireta, intermediando ordens da cúpula do PCC. Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, outro filho de Alejandro, era beneficiário direto da lavagem de dinheiro, com movimentações financeiras expressivas.
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