ALERTA NACIONAL

Denúncias de violência infantojuvenil disparam mais de 120% em cinco anos, revela Ministério da Saúde

Ilustração simbólica de crianças em situação de vulnerabilidade.
Violência contra crianças e adolescentes é um grave problema de saúde pública no Brasil.

Dados do Ministério da Saúde, analisados pela SPDM, mostram que o número de notificações saltou de 73.635 em 2020 para 165.413 em 2025, com as meninas sendo as mais afetadas.

A violência contra crianças e adolescentes mais do que dobrou no Brasil em apenas cinco anos. Nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, foram divulgados dados alarmantes do Ministério da Saúde, analisados pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), que apontam um crescimento de 125% nas notificações entre 2020 e 2025. O Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) registrou um salto de 73.635 ocorrências em 2020 para 165.413 em 2025. Essa escalada representa um grave problema de segurança e saúde pública que afeta a dignidade e o futuro de milhares de jovens no país.

No período analisado, o Sinan recebeu um total de 685.629 notificações envolvendo vítimas de 0 a 18 anos. A pesquisa destaca que as meninas e adolescentes do sexo feminino são as mais atingidas, representando 62% das vítimas, enquanto meninos aparecem em 38% dos casos. Em termos de perfil racial, 49,1% das vítimas foram classificadas como pardas, 35,7% como brancas e 7,6% como negras.

Os tipos de violência mais frequentes registrados foram a sexual, correspondendo a 34% das notificações, seguida por negligência e abandono (33,3%) e violência física (32,9%). O estudo sublinha ainda que o ambiente doméstico é o principal palco dessas agressões, com a mãe da vítima identificada como a principal agressor em 34% dos casos, e o pai em 26%.

A adolescência concentra a maior parte das notificações, com 294.010 registros (43%). A primeira infância (até 6 anos) registrou 256.601 casos (37,5%), e a segunda infância (7 a 12 anos) contabilizou 135.018 casos (20%).

Para o psiquiatra e presidente da SPDM, Ronaldo Laranjeira, o volume de notificações reflete um problema social persistente e grave. "Quando uma criança ou adolescente é vítima de violência, os impactos podem ultrapassar o momento da agressão e se estender por toda a vida. Estamos falando de consequências físicas, emocionais, sociais e educacionais que podem comprometer o desenvolvimento e aumentar vulnerabilidades futuras. Por isso, é fundamental fortalecer a atuação integrada entre saúde, assistência social, educação e sistema de justiça", alertou Laranjeira. Essa análise reforça a urgência de políticas públicas eficazes e intervenções que protejam a infância e a juventude.

O aumento da violência infantojuvenil é um fenômeno nacional. Todas as regiões do Brasil registraram alta nas notificações. Os estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais somam 52% de todos os registros. Em termos de variação percentual, o Nordeste liderou com um salto de 1.200%, seguido pelo Norte (809%), Centro-Oeste (508%), Sul (421%) e Sudeste (221%).

A SPDM enfatiza a importância da qualificação contínua dos profissionais de saúde e assistência para a identificação precoce de sinais de violência, o fortalecimento das redes de proteção e a ampliação de ações preventivas voltadas para famílias e comunidades, visando garantir a dignidade e a segurança dos jovens.

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