MERCADO ENERGÉTICO MUNDIAL
Demanda global por petróleo avança sob incertezas no Irã, aponta AIE
AIE projeta crescimento na demanda até outubro, mas condiciona a estabilidade do setor a um acordo de paz duradouro entre Estados Unidos e Irã.
A AIE (Agência Internacional de Energia) projeta uma retomada na demanda global por petróleo, embora a sustentabilidade desse crescimento esteja diretamente vinculada à resolução do conflito no Oriente Médio. Em relatório divulgado em 10 de julho de 2026, a entidade apontou que o consumo deve subir mais de 8 milhões de barris por dia até outubro, superando os níveis registrados em 2025, um movimento que sinaliza o início da superação dos impactos causados pela guerra entre Estados Unidos e Irã.
A recuperação, impulsionada pelo aumento sazonal de viagens no verão do Hemisfério Norte e pela liberação de demanda reprimida, é um suspiro de alívio para a economia global. No entanto, o cenário de otimismo enfrenta uma barreira crítica: a segurança no estreito de Ormuz. A AIE esclarece que suas projeções dependem estritamente da normalização do trânsito marítimo e da consolidação de um cessar-fogo sólido entre Estados Unidos e Irã.
O cenário geopolítico tornou-se ainda mais delicado desde 8 de julho de 2026, quando o cessar-fogo vigente foi rompido. Após ataques a navios comerciais no estreito de Ormuz, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), autorizou bombardeios a alvos militares iranianos, gerando retaliações de Teerã contra instalações norte-americanas no Bahrein, Qatar e Kuwait. Embora existam relatos de tentativas de negociação para um novo acordo, a volatilidade dos preços, como o índice North Sea Dated, que atingiu US$ 77 por barril recentemente, reflete o temor dos mercados sobre o futuro da oferta.
Apesar do crescimento esperado no segundo semestre de 2026, o impacto do conflito é duradouro. A AIE estima que, na média anual, a demanda global ainda apresentará uma retração de 1 milhão de barris por dia, com a oferta mundial operando 9,4 milhões de barris abaixo dos patamares anteriores à guerra. A retomada plena do setor de combustíveis refinados e GLP, que ainda atua com metade de sua capacidade pré-conflito, permanece como o principal desafio humanitário e econômico para a estabilização dos preços de energia no mundo.
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