GEOPOLÍTICA EM CRISE
Terceira guerra mundial: a sensação de que o mundo já está nela ganha força
Analistas de segurança internacional apontam que conflitos na Ucrânia e no Irã deixaram de ser isolados e começam a se sobrepor em um cenário global tenso.
A percepção de que o mundo já vive — ou está a poucos passos de enfrentar — uma guerra mundial deixou de ser um debate acadêmico restrito para se tornar uma preocupação central entre analistas de segurança internacional e formuladores de política externa. O entendimento de que múltiplos conflitos regionais, antes vistos como isolados, agora integram um quadro de instabilidade maior tem ganhado adesão em diversas esferas.
Nesta terça-feira (28), a reunião do presidente americano Donald Trump em Washington com o ucraniano Volodymyr Zelensky e o israelense Benjamin Netanyahu evidenciou a complexidade do momento. O encontro, ocorrido no dia em que a guerra do Irã completou 5 meses, ilustrou como as lideranças das nações envolvidas em embates distintos lidam com ameaças que se cruzam, como a troca de tecnologia militar entre Rússia e Irã e o envolvimento crescente de potências globais.
Paul Poast, professor de Relações Internacionais da Universidade de Chicago, destaca que dois elementos sustentam a atual classificação: a ocorrência de grandes guerras simultâneas em continentes diferentes e o envolvimento direto de potências apoiando lados opostos em cada cenário. Para Poast, o conflito atual assemelha-se mais à Guerra dos Sete Anos, do século 18, na qual múltiplos teatros de guerra e potências interagiam, do que às grandes guerras do século 20.
A visão é compartilhada por vozes como a de Gideon Rachman, do Financial Times, que aponta a formação de um "eixo da desordem" entre Rússia, China, Irã e Coreia do Norte. Esse alinhamento, embora não formalizado como uma aliança total, tem forçado os EUA a repensar suas estratégias de defesa. Para especialistas como Jeffrey Sachs, da Universidade Columbia, o risco reside na interconexão frouxa desses combates, que tornam a contenção global uma tarefa cada vez mais incerta.
Embora não haja consenso sobre o uso do rótulo "terceira guerra mundial", o que preocupa estrategistas é que nenhum dos conflitos apresenta sinais de desescalada. A cada semana, a possibilidade de envolvimento de outros atores aumenta, criando um cenário de erros de cálculo que, segundo analistas, pode levar a desdobramentos imprevisíveis para a estabilidade do planeta.
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