CORRUPÇÃO EM ALTA

Delegado da PF condenado a 10 anos por receber carro como propina no Rio

Delegado da Polícia Federal
Imagem ilustrativa: Delegado da PF é acusado de receber propina.

Decisão da Justiça Federal no Rio determinou ainda a perda do cargo público do policial. Cabe recurso.

{"blocks":[{"key":"23o8j","text":"A Justiça Federal no Rio decidiu condenar o delegado da Polícia Federal Lorenzo Pompílio da Hora a 10 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. A decisão, proferida nesta terça-feira, 09/06/2026, o acusa de ter recebido, em 2017, um carro no valor de R$ 70 mil como propina para usar sua influência e encerrar uma investigação da PF contra um advogado. O caso choca pela forma como a influência de um cargo público foi supostamente trocada por bens materiais, desvalorizando a integridade que um delegado deveria representar. A sentença ressalta o impacto direto na confiança da sociedade nas instituições de segurança.","type":"paragraph"},{"key":"9g25e","text":"No mesmo processo, o advogado Marcelo Guimarães, que teria entregue o veículo ao delegado, e o motorista dele, Luis Henrique do Nascimento Almeida, foram sentenciados a 3 anos de reclusão. Em virtude de um acordo de delação premiada, suas penas foram convertidas em prestação de serviços comunitários, demonstrando o caminho da colaboração para a Justiça.","type":"paragraph"},{"key":"5t7f2","text":"Lorenzo Pompílio da Hora também teve seu nome associado a outro episódio de repercussão: ele acompanhou o depoimento do policial militar Rodrigo Ferreira, conhecido como Ferreirinha, no contexto das investigações sobre a morte da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. Na ocasião, a PF levantou a suspeita de que Ferreirinha teria agido para atrapalhar o andamento das apurações.","type":"paragraph"},{"key":"7c3h4","text":"As investigações do Ministério Público Federal (MPF) apontam que um esquema criminoso operou na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro entre 2013 e 2017. A prática envolvia abordar empresários sob investigação, solicitando propina para favorecer os investigados ou evitar que fossem alcançados pelas apurações. Estima-se que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 10 milhões em propinas, com uma parcela significativa destinada a Lorenzo.","type":"paragraph"},{"key":"2s1p8","text":"Detalhes da investigação revelam que, em 2017, Lorenzo e Marcelo Guimarães teriam se reunido em um bar na Tijuca para discutir investigações da Corregedoria da Polícia Federal sobre um escrivão. Segundo a denúncia, o advogado teria oferecido seu Fusion Titanium, recém-adquirido, como forma de pagamento para que Lorenzo utilizasse sua influência e encerrasse as apurações. Para evitar suspeitas, o veículo foi inicialmente registrado em nome de terceiros e, posteriormente, transferido para a esposa do delegado, sem que houvesse registros de pagamento compatíveis nas contas dos envolvidos.","type":"paragraph"},{"key":"3r9n6","text":"A juíza Caroline Figueiredo, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, destacou em sua sentença que o interrogatório de Lorenzo foi "rico em contradições". A magistrada observou a inconsistência entre os depoimentos prestados e ressaltou que, mesmo sem pagar pelo veículo, o delegado decidiu vendê-lo, demonstrando uma conduta questionável. A decisão pela perda do cargo público se deu em razão de os crimes praticados pelo condenado demonstrarem "uma verdadeira incapacidade moral para o exercício da função pública". O delegado poderá recorrer em liberdade.","type":"paragraph"},{"key":"1x8w5","text":"A defesa de Lorenzo Martins Pompílio da Hora afirmou que a condenação é de primeiro grau e ainda cabe recurso, incluindo apelação ao TRF-2. Sustentam que a condenação se baseia na palavra de um colaborador premiado sem corroboração independente e citam decisões anteriores que anularam ações penais contra o mesmo acusado. "Até o trânsito em julgado, vigora a presunção de inocência", declarou a defesa.","type":"paragraph"},{"key":"4z6v3","text":"Por outro lado, a defesa de Marcelo Guimarães declarou que recebe a sentença com serenidade e respeito, colocando-se à disposição das autoridades para contribuir com a elucidação dos fatos e destacando o reconhecimento do seu esforço em colaborar.","type":"paragraph"},{"key":"9p7f1","text":"A defesa de Luis Henrique do Nascimento Almeida optou por não se manifestar.","type":"paragraph"}],"version":1}

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