ACORDO EM SUSPENSO
Delação de Daniel Vorcaro trava na PF e PGR por recusa em admitir crimes
Ex-banqueiro Daniel Vorcaro encontra resistência na Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República para fechar acordo de delação. Órgãos exigem reconhecimento de atos como criminosos.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro enfrenta dificuldades significativas para que sua proposta de delação premiada avance junto à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). A principal barreira reside em sua relutância em reconhecer as ações que cometeu como atos criminosos, um ponto crucial para a validação do acordo. A apuração é de Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Conforme relatos de cinco interlocutores de Vorcaro, tanto da área jurídica quanto empresarial, o ex-banqueiro sustenta a crença de que suas condutas estavam alinhadas às práticas correntes no ambiente político e de negócios. Ele atribui sua atual situação a ações de adversários que, em sua visão, "trabalharam por sua desgraça", e não aos seus próprios atos.
Em relação ao pagamento de R$ 129 milhões ao escritório de Viviane de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, Vorcaro o enxerga como uma contratação de serviços comum. Ele estabelece um paralelo com práticas adotadas por outras empresas que, segundo ele, também buscam escritórios associados a magistrados de tribunais superiores.
Da mesma forma, despesas relacionadas ao senador Ciro Nogueira e o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro são classificadas por Vorcaro como relações legítimas entre empresários e políticos. Para ele, esses vínculos configuravam uma estratégia de dissuasão de adversários, desvinculada de qualquer caráter de propina.
Tanto a PF quanto a PGR avaliam as informações fornecidas por Daniel Vorcaro como insuficientes, precárias e seletivas, impedindo o fechamento de um acordo de colaboração. Um dos interlocutores resumiu a situação afirmando que "a ficha dele está caindo muito lentamente."
Sob a pressão dos dois órgãos de investigação, Vorcaro começa a ponderar uma revisão na narrativa que tem apresentado às autoridades. Informações divulgadas pelo Estado de S. Paulo indicam que ele já passou a utilizar o termo "propinas" em vez de "amizade" para descrever os repasses feitos a Ciro Nogueira.
A PF, em sua análise, não considera a proposta de colaboração nos moldes atuais aceitável e reitera a necessidade de novas informações. A efetiva continuidade do acordo está condicionada a uma mudança, ainda que formal, na interpretação de Daniel Vorcaro sobre os atos que ele praticou.
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