SENADO ACENA AO PLANALTO

Davi Alcolumbre busca reaproximação com Lula no Senado após tensões

Retrato do senador Davi Alcolumbre.
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, em Brasília.

Presidente da Casa, Davi Alcolumbre, envia sinais de trégua ao governo Lula após período de atritos. Movimentos incluem elogios à nova líder do governo e defesa de Jaques Wagner.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), iniciou uma série de gestos de aproximação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira, 07/07/2026, buscando amenizar a relação que se tornou tensa em meses recentes. Essas sinalizações ocorrem em um contexto de críticas de aliados do Palácio do Planalto à condução da pauta legislativa na Casa.

O primeiro movimento de reconciliação foi a recepção, na terça-feira (30/6), da recém-indicada líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). A reunião aconteceu no mesmo dia em que Alcolumbre pautou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da aposentadoria especial para agentes de saúde, vista pelo governo como uma "pauta-bomba".

Durante o encontro, que contou com a participação do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, representantes do governo reiteraram o pedido para que Alcolumbre segurasse propostas com alto impacto fiscal e priorizasse matérias de interesse do Planalto, como a PEC que extingue a escala de trabalho 6x1. Contudo, Alcolumbre manteve o rito de tramitação da PEC da aposentadoria, que exige cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno, adiando sua apreciação definitiva.

Em pronunciamento posterior, o presidente do Senado elogiou a articulação de Teresa Leitão, destacou sua compreensão sobre o papel da presidência do Congresso e declarou estar "à total disposição para entender as demandas do governo" Lula.

Apesar de ceder em parte, Alcolumbre também se defendeu das críticas que o rotulam como "homem da pauta-bomba", apresentando um contraponto com a aprovação de propostas que geraram isenções fiscais ou flexibilizaram regras governamentais.

Nos bastidores, a avaliação de parlamentares da base governista é que a mudança na liderança do governo no Senado, com Teresa Leitão, fortaleceu a interlocução com Alcolumbre. Sua perfil conciliador é visto como facilitador para o diálogo. Além disso, ministros como Camilo Santana (PT-CE) e Carlos Fávaro (PSD-MT) também têm sido acionados para fortalecer a articulação política e reduzir tensões entre o Executivo e o Congresso.

Um senador da base governista descreveu o momento como de "acomodação", indicando que as relações, após turbulências, parecem estar se estabilizando.

Histórico de desentendimentos entre Lula e Alcolumbre

  • Davi Alcolumbre foi um importante aliado de Lula no Congresso durante o início do terceiro mandato.
  • No final de 2022, indicou Waldez Góes para o Ministério do Desenvolvimento Regional.
  • Em abril de 2025, viabilizou a nomeação de Frederico Siqueira para o Ministério das Comunicações.
  • A proximidade entre Lula e Alcolumbre se desgastou a partir de novembro de 2025, quando Lula indicou Jorge Messias para o STF, enquanto Alcolumbre defendia Rodrigo Pacheco.
  • Alcolumbre tentou antecipar a sabatina de Messias, mas recuou por falta de formalização da indicação.
  • A crise se aprofundou em abril, quando o Senado rejeitou Messias, com Alcolumbre apontado como articulador.
  • Disputas por indicações em agências reguladoras e análise de vetos presidenciais também marcaram a relação.

A defesa de Jaques Wagner e o caso Master

A operação da Polícia Federal que investigou o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o afastou da liderança do governo no Senado serviu como catalisador para reaproximar Wagner e Alcolumbre, que estavam distantes desde 2025. Alcolumbre defendeu Wagner publicamente em diversas ocasiões após o senador se tornar alvo de busca e apreensão em investigação sobre fraudes do Banco Master. O presidente do Senado determinou à Advocacia do Senado que se manifestasse no inquérito, solicitando ao Judiciário o restabelecimento das prerrogativas do senador. Este gesto, direcionado a um aliado do governo e realizado após uma conversa longa com Wagner, é interpretado como um sinal de disposição para reconstruir pontes com o Planalto, ao mesmo tempo em que reafirma a defesa das prerrogativas parlamentares, uma bandeira pessoal de Alcolumbre.

Integrantes da base governista veem este movimento como uma tentativa de Alcolumbre de manter o equilíbrio político, evitando desagradar completamente o governo e a oposição, e possivelmente já visando a eleição para a presidência do Senado em 2027.

A PEC da escala 6x1 e "sinais trocados"

Em paralelo às tensões sobre a pauta, Alcolumbre tem se queixado de pressões e ameaças relacionadas à PEC que visa encerrar a escala de trabalho 6x1, pauta prioritária do governo Lula. O senador mencionou ter sido alvo de "autoridades importantes da República", além de críticas razoáveis, indicando insatisfação com manifestações de figuras como a deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) e o ministro Guilherme Boulos.

Contudo, no dia seguinte ao desabafo, Alcolumbre recebeu representantes de centrais sindicais, em um diálogo inédito desde que a PEC chegou ao Senado em maio. Nesta reunião, ele surpreendeu ao defender a redução imediata da jornada de trabalho, questionando o período de transição de 14 meses proposto. O senador Paulo Paim (PT-BA) relatou que Alcolumbre deu a impressão de que a emenda poderia entrar em vigor logo após sua promulgação.

Como resultado, Alcolumbre instruiu a equipe técnica do Senado a elaborar uma emenda para remover o período de transição da PEC. Essa iniciativa foi vista como um gesto incomum em direção a setores alinhados ao governo e a grupos críticos à proposta original, demonstrando uma abertura para negociação e flexibilidade.

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