LIBERDADE RESTRITA
Datafolha revela: Mulheres evitam sair à noite pelo medo
Quatro em cada dez mulheres limitaram sua vida noturna no último ano devido à insegurança. Medo de agressão sexual se destaca.
A liberdade de ir e vir de milhões de mulheres no Brasil enfrenta um cerceamento preocupante, conforme revelado pela pesquisa "Os gatilhos da insegurança", conduzida pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Divulgada neste domingo, 10 de maio de 2026, a pesquisa aponta que 41% das mulheres deixaram de sair à noite no último ano, movidas pelo medo crescente da violência. Essa autorestrição, imposta pelo temor de se tornar vítima de agressões, sublinha uma grave disparidade na segurança percebida entre os gêneros e afeta diretamente a dignidade e autonomia feminina na sociedade.
Os números, coletados pelo Datafolha, são um retrato vívido dessa realidade. Enquanto mais de quatro em cada dez mulheres alteraram seus hábitos noturnos por receio, entre os homens, esse percentual cai para apenas 29,8%. A diferença de quase 12 pontos percentuais evidencia a particular vulnerabilidade sentida pelo público feminino.
O levantamento, que o Datafolha apelidou de "mapa feminino do medo", mostra uma sensação de insegurança quase onipresente entre as mulheres. Nenhuma das situações de violência citadas aos homens alcançou 80% de apreensão; já para as mulheres, todos os cenários apresentados superam essa marca, indicando uma preocupação sistêmica.
O temor de ser vítima de agressão sexual, em particular, se destaca como um fator determinante para a mudança de planos, atingindo 82,6% das entrevistadas.
Contudo, os receios não se limitam à violência sexual. A pesquisa destaca que a preocupação com assaltos, furtos e a possibilidade de ser morta em um assalto supera até mesmo o medo de agressão sexual, com todos os quesitos ultrapassando os 83% entre as mulheres.
Os maiores medos das mulheres, com índices acima de 80%, são:
- Roubo à mão armada: 86,6%
- Golpes digitais: 86,6%
- Ser morta em assalto: 86,2%
- Ter o celular roubado/furtado: 83,6%
- Ser roubada/assaltada na rua: 83,2%
- Vítima de agressão sexual: 82,6%
- Residência invadida ou arrombada: 82,6%
- Vítima de bala perdida: 82,3%
As mudanças de comportamento e hábitos extrapolam a vida noturna. Um dado alarmante é que 37,8% das mulheres deixaram de circular com o celular nas ruas para evitar roubos, uma prática menos comum entre os homens, onde o percentual é de 28,9%. Essa alteração de rotina demonstra como o medo da violência invade o cotidiano, privando-as de gestos simples e da conexão essencial com o mundo moderno.
Para a pesquisa "Os gatilhos da insegurança", o Datafolha ouviu 2.004 pessoas presencialmente em 137 municípios brasileiros. A margem de erro estimada para o levantamento varia entre 0,8 e 4,2 pontos percentuais.
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