PRIVATIZAÇÕES SOB PRESSÃO

Datafolha aponta aumento da rejeição à privatização de transporte e serviços em São Paulo

Plataforma de embarque de uma das estações do Metrô de SP.
Estação do Metrô de SP

Crescimento da desaprovação de projetos de desestatização reflete insatisfação popular com a qualidade de serviços como energia e transporte ferroviário.

A parcela de moradores do Estado de São Paulo contrária à privatização das linhas de transporte sobre trilhos cresceu significativamente nos últimos anos, conforme revelou pesquisa Datafolha divulgada em 12 de julho de 2026. O levantamento reflete a preocupação da população quanto à gestão de serviços essenciais, nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, momento em que o debate sobre a eficiência da iniciativa privada ganha novos contornos na agenda pública.

Os dados indicam que 56% dos entrevistados se declaram contrários à desestatização do Metrô, uma alta de 9 pontos percentuais em relação a março de 2023. No caso dos trens operados pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), a rejeição atingiu 53%, um crescimento de 8 pontos percentuais no mesmo período. É importante notar que, embora o questionário utilize o termo “privatização”, a maioria das linhas paulistas opera sob regime de concessão temporária, com prazos contratuais definidos.

Impacto nos serviços essenciais

A insatisfação com a entrega de ativos estatais ao setor privado também se estende ao Porto de Santos, cuja desaprovação subiu de 45% para 50%. O projeto, que foi bandeira da gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante seu período no Ministério da Infraestrutura na gestão de Jair Bolsonaro (PL), não integra a agenda do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A Sabesp, que completou 2 anos de processo de desestatização em julho de 2026, enfrenta rejeição de 54%. A percepção de estagnação na qualidade do saneamento é compartilhada por 51% dos entrevistados, enquanto 28% afirmam que o serviço piorou.

Especialistas em infraestrutura vinculam esse cenário à percepção de falhas em concessões recentes. A Enel, responsável pela distribuição de energia na Região Metropolitana de São Paulo, viu sua avaliação de ótimo ou bom cair 6 pontos percentuais, em um contexto onde a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) analisa a extinção do contrato após apagões recorrentes.

A pesquisa Datafolha, registrada no TSE sob os números SP-01703/2026 e BR-06481/2026, ouviu 1.608 pessoas entre 1º e 3 de julho de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais.

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