Polarização

Datafolha: 70% veem relação entre Congresso e Lula mais como confronto

Congresso Nacional e Lula, símbolos do poder político no Brasil, em contexto de pesquisa Datafolha.
Prédio do Congresso Nacional e o presidente Lula. — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução / Wallison Breno/PR

Pesquisa Datafolha aponta que apenas 20% enxergam colaboração. Segurança e saúde são as maiores preocupações da população para o próximo presidente da República, revela o levantamento.

Uma significativa maioria da população brasileira, 70%, avalia a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Congresso Nacional como um constante confronto, e não uma colaboração. A constatação, revelada pela pesquisa Datafolha divulgada neste domingo, 17 de maio de 2026, pelo jornal "Folha de S. Paulo", aponta para uma preocupante polarização que impacta diretamente a capacidade de o governo avançar em pautas cruciais para a vida dos cidadãos.

Esse panorama de tensão se reflete na percepção pública, onde apenas 20% dos entrevistados acreditam que há mais cooperação do que embate entre o Executivo e o Legislativo. Uma pequena parcela, 2%, não vê nem confronto nem colaboração, enquanto 8% não souberam se posicionar, conforme os dados do instituto.

A "Folha de S. Paulo" ainda destacou que a maior parte das entrevistas foi realizada antes da divulgação de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do banco Master, nas quais Flávio supostamente cobrava repasses de verba para o financiamento do filme "Dark Horse", que narra a história de Jair Bolsonaro.

Os números da pesquisa sobre a dinâmica entre os poderes são claros:

  • Mais colaboração do que confronto: 20%;
  • Mais confronto do que colaboração: 70%;
  • Nem confronto nem colaboração: 2%;
  • Não sabem: 8%.

Avaliação do governo e o impacto na vida dos cidadãos

A pesquisa Datafolha também trouxe um raio-x da percepção dos eleitores sobre o desempenho do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os resultados, divulgados neste sábado, 16 de maio de 2026, indicam que o combate à fome e à miséria é a área mais bem avaliada, um ponto que toca a dignidade e a sobrevivência de milhões de brasileiros. Em contrapartida, a segurança pública emerge como o calcanhar de Aquiles da gestão, gerando as maiores críticas e revelando uma preocupação central da sociedade.

Para a população, a saúde é a principal prioridade para o próximo presidente da República, uma demanda que ressoa a urgência de acesso a serviços de qualidade e bem-estar para todos.

Detalhes sobre as áreas de destaque do governo Lula:

  • Combate à fome e à miséria: 13%
  • Combate ao desemprego: 10%
  • Educação: 10%
  • Saúde: 6%
  • Igualdade racial: 6%
  • Habitação: 5%
  • Cultura: 5%
  • Relações exteriores: 5%
  • Direitos humanos: 4%
  • Povos indígenas: 3%
  • Economia: 2%
  • Segurança pública: 2%
  • Combate à corrupção: 1%
  • Meio ambiente e mudanças climáticas: 1%
  • Ciência e tecnologia: 1%
  • Nenhuma área: 19%
  • Não souberam responder: 7%
  • Todas as áreas: 1%

Segurança pública lidera as críticas

No polo oposto, a segurança pública é a área onde o governo Lula é mais criticado, citada por 16% dos entrevistados. O dado reflete o anseio da população por mais tranquilidade e proteção no dia a dia. A saúde aparece em seguida com 15%, evidenciando as deficiências que afetam diretamente o acesso a tratamentos e cuidados básicos. Economia e combate à corrupção também são apontados como pontos fracos, ambos com 13% das menções, indicando a necessidade de maior transparência e estabilidade econômica.

Interessantemente, o combate à fome e à miséria, embora seja a área de melhor desempenho, também aparece entre os setores com pior avaliação por 4% dos entrevistados, revelando a complexidade e a profundidade do problema social no país.

Onde o governo Lula enfrenta mais críticas:

  • Segurança pública: 16%
  • Saúde: 15%
  • Economia: 13%
  • Combate à corrupção: 13%
  • Educação: 5%
  • Combate à fome e à miséria: 4%
  • Combate ao desemprego: 3%
  • Meio ambiente e mudanças climáticas: 3%
  • Relações exteriores: 2%
  • Ciência e tecnologia: 1%
  • Direitos humanos: 1%
  • Cultura: 1%
  • Habitação: 1%
  • Igualdade racial: 1%
  • Povos indígenas: 1%
  • Nenhuma área: 5%
  • Não souberam responder: 7%
  • Todas as áreas: 6%

Saúde: a prioridade inegável para o futuro

Quando questionados sobre as prioridades para o próximo presidente da República, os eleitores apontam a saúde com ampla vantagem, citada por 34% dos entrevistados. Essa demanda por um sistema de saúde robusto e acessível é um clamor por mais dignidade e qualidade de vida. Educação (15%), segurança pública (12%) e economia (11%) também figuram entre as áreas mais urgentes, reforçando o desejo da população por um país com melhores oportunidades e mais segurança.

Prioridades para o próximo presidente, segundo o Datafolha:

  • Saúde: 34%
  • Educação: 15%
  • Segurança pública: 12%
  • Economia: 11%
  • Combate à fome e à miséria: 7%
  • Combate à corrupção: 7%
  • Combate ao desemprego: 6%
  • Direitos humanos: 2%
  • Meio ambiente e mudanças climáticas: 1%
  • Habitação: 1%
  • Igualdade racial: 1%
  • Ciência e tecnologia: 1%
  • Não souberam responder: 2%
  • Todas as áreas: 2%

A pesquisa Datafolha foi realizada presencialmente entre os dias 12 e 13 de maio de 2026, entrevistando 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o registro no TSE é BR-00290/2026.

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